Heyduca Cursos – Blog https://blog.heyduca.com.br/ A sua plataforma de conhecimentos! Wed, 27 Aug 2025 00:42:41 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.8.2 https://blog.heyduca.com.br/wp-content/uploads/2024/12/cropped-icone-2-32x32.png Heyduca Cursos – Blog https://blog.heyduca.com.br/ 32 32 5 erros comuns ao ensinar habilidades motoras e como evitá-los. https://blog.heyduca.com.br/5-erros-comuns-ao-ensinar-habilidades-motoras-e-como-evita-los/ https://blog.heyduca.com.br/5-erros-comuns-ao-ensinar-habilidades-motoras-e-como-evita-los/#respond Wed, 27 Aug 2025 00:41:34 +0000 https://blog.heyduca.com.br/?p=800 Ensinar habilidades motoras vai muito além de repetir movimentos. Ensinar uma criança a correr, saltar ou manipular objetos parece simples — mas quando o objetivo é gerar aprendizagem motora real, a prática precisa ir muito além da repetição. Infelizmente, muitos professores ainda cometem erros que atrapalham a aprendizagem dos alunos, mesmo com boas intenções. Nesta matéria, vou te mostrar 5 erros comuns ao ensinar habilidades motoras e, principalmente, como evitá-los com base em evidências científicas. Se você quer que seus alunos realmente aprendam (e não apenas “copiem movimentos”), esse conteúdo é para você. 1. Focar apenas no resultado final do movimento. Um dos erros mais comuns é exigir que o aluno acerte o movimento desde o início, ignorando o processo de aprendizagem. Quando focamos apenas no “resultado” (como acertar a cesta ou correr mais rápido), deixamos de observar os padrões motores e o progresso individual. 🧠 O que fazer no lugar:Valorize o processo. Observe como o aluno realiza o movimento, dê feedback sobre o padrão motor, e celebre os avanços, mesmo que o resultado final ainda não tenha aparecido. 2. Usar feedback excessivo ou mal direcionado Dar feedback o tempo todo parece ajudar, mas na verdade pode atrapalhar a autonomia e a retenção da aprendizagem. Além disso, muitos professores focam apenas no erro, o que pode gerar ansiedade nos alunos. 🧠 O que fazer no lugar: 3. Não variar as tarefas (prática monótona e pouco desafiadora) Repetir sempre o mesmo exercício, no mesmo formato, pode até parecer bom no curto prazo — mas não promove transferência nem retenção, que são essenciais para a aprendizagem motora. 🧠 O que fazer no lugar:Use prática variada! Altere o ambiente, os objetivos, o tipo de tarefa. Por exemplo: ao invés de só correr em linha reta, corra com obstáculos, diferentes trajetos ou alvos. 4. Ignorar o nível de habilidade e o estágio de aprendizagem. Muitos erros ocorrem quando todos os alunos recebem as mesmas tarefas, desconsiderando suas diferenças. Isso pode gerar frustração em alguns e tédio em outros. 🧠 O que fazer no lugar:Aplique o princípio da adaptação progressiva. Varie a complexidade, ofereça desafios ajustados e agrupe alunos com objetivos semelhantes, sempre que possível. 5. Subestimar o valor da demonstração e da exploração livre. Alguns professores demonstram uma vez e já pedem que os alunos “imitem”. Outros, ao contrário, deixam os alunos sozinhos demais, sem referência clara. Ambos os extremos são prejudiciais. 🧠 O que fazer no lugar: Combine modelo + tentativa livre + feedback Conclusão: Ensinar com qualidade é mais do que repetir, é entender o processo Evitar esses erros é um passo importante para promover aprendizagem real, significativa e duradoura nas aulas de Educação Física. A boa notícia é que, com pequenas mudanças, você pode ver grandes resultados, alunos mais engajados, mais competentes e com maior prazer em se movimentar.

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Ensinar habilidades motoras vai muito além de repetir movimentos.

Ensinar uma criança a correr, saltar ou manipular objetos parece simples — mas quando o objetivo é gerar aprendizagem motora real, a prática precisa ir muito além da repetição.

Infelizmente, muitos professores ainda cometem erros que atrapalham a aprendizagem dos alunos, mesmo com boas intenções. Nesta matéria, vou te mostrar 5 erros comuns ao ensinar habilidades motoras e, principalmente, como evitá-los com base em evidências científicas.

Se você quer que seus alunos realmente aprendam (e não apenas “copiem movimentos”), esse conteúdo é para você.

1. Focar apenas no resultado final do movimento.

Um dos erros mais comuns é exigir que o aluno acerte o movimento desde o início, ignorando o processo de aprendizagem. Quando focamos apenas no “resultado” (como acertar a cesta ou correr mais rápido), deixamos de observar os padrões motores e o progresso individual.

🧠 O que fazer no lugar:
Valorize o processo. Observe como o aluno realiza o movimento, dê feedback sobre o padrão motor, e celebre os avanços, mesmo que o resultado final ainda não tenha aparecido.

2. Usar feedback excessivo ou mal direcionado

Dar feedback o tempo todo parece ajudar, mas na verdade pode atrapalhar a autonomia e a retenção da aprendizagem. Além disso, muitos professores focam apenas no erro, o que pode gerar ansiedade nos alunos.

🧠 O que fazer no lugar:

  • Dê feedbacks menos frequentes e mais significativos
  • Dê feedback visual e corretivo
  • Incentive o aluno a focar em algo externo ao seu corpo (cesta, adversário, rede, colega do time)

3. Não variar as tarefas (prática monótona e pouco desafiadora)

Repetir sempre o mesmo exercício, no mesmo formato, pode até parecer bom no curto prazo — mas não promove transferência nem retenção, que são essenciais para a aprendizagem motora.

🧠 O que fazer no lugar:
Use prática variada! Altere o ambiente, os objetivos, o tipo de tarefa. Por exemplo: ao invés de só correr em linha reta, corra com obstáculos, diferentes trajetos ou alvos.

4. Ignorar o nível de habilidade e o estágio de aprendizagem.

Muitos erros ocorrem quando todos os alunos recebem as mesmas tarefas, desconsiderando suas diferenças. Isso pode gerar frustração em alguns e tédio em outros. 🧠 O que fazer no lugar:
Aplique o princípio da adaptação progressiva. Varie a complexidade, ofereça desafios ajustados e agrupe alunos com objetivos semelhantes, sempre que possível.

5. Subestimar o valor da demonstração e da exploração livre.

Alguns professores demonstram uma vez e já pedem que os alunos “imitem”. Outros, ao contrário, deixam os alunos sozinhos demais, sem referência clara. Ambos os extremos são prejudiciais.

🧠 O que fazer no lugar:

  • Demonstre mais de uma vez, em velocidade normal e em câmera lenta
  • Estimule a exploração ativa: “tente outras formas de fazer esse movimento”

Combine modelo + tentativa livre + feedback

Conclusão: Ensinar com qualidade é mais do que repetir, é entender o processo

Evitar esses erros é um passo importante para promover aprendizagem real, significativa e duradoura nas aulas de Educação Física. A boa notícia é que, com pequenas mudanças, você pode ver grandes resultados, alunos mais engajados, mais competentes e com maior prazer em se movimentar.

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Como usar evidências científicas para melhorar sua prática como professor de Educação Física. https://blog.heyduca.com.br/como-usar-evidencias-cientificas-para-melhorar-sua-pratica-como-professor-de-educacao-fisica/ https://blog.heyduca.com.br/como-usar-evidencias-cientificas-para-melhorar-sua-pratica-como-professor-de-educacao-fisica/#respond Wed, 13 Aug 2025 11:32:02 +0000 https://blog.heyduca.com.br/?p=793 O que é prática baseada em evidências e por que isso importa na Educação Física? Em um cenário onde a Educação Física ainda enfrenta muitos mitos e repetições sem fundamento, adotar uma prática baseada em evidências científicas não é apenas uma opção: é um diferencial necessário. Essa abordagem ajuda o profissional de Educação Física a tomar decisões mais embasadas, eficazes e alinhadas com os objetivos reais de ensino e aprendizagem — especialmente quando falamos em comportamento motor. Mas como sair do “eu sempre fiz assim” para uma prática realmente fundamentada? É isso que vamos explorar neste post. 1. O que significa prática baseada em evidências na Educação Física? Prática baseada em evidências é um modelo que surgiu na área da saúde, mas hoje é amplamente defendido na educação. Ela envolve tomar decisões profissionais com base na melhor evidência científica disponível, aliada à experiência do professor e às características do contexto e dos alunos. Ou seja: não basta um artigo dizer algo. É preciso pensar: isso faz sentido na minha realidade? E mais importante: meus alunos estão respondendo bem a isso? 2. Por que isso é essencial para quem trabalha com comportamento motor? A área de comportamento motor é rica em estudos que mostram o que realmente funciona no ensino de habilidades motoras, desenvolvimento de competências e promoção da aprendizagem. Quando você se apoia em evidências: 3. Onde encontrar boas evidências científicas? Você não precisa ser pesquisador para se atualizar. Aqui estão alguns caminhos: 4. Como aplicar essas evidências na sua prática? Aqui vai um passo a passo simples: 1. Escolha um desafio:Por exemplo: “Meus alunos não conseguem manter a atenção durante a prática de habilidades motoras.” 2. Procure evidências:Busque artigos científicos sobre atenção, foco e variabilidade na aprendizagem. 3. Teste pequenas mudanças:Aplique uma estratégia baseada no que leu, como variar mais as tarefas ou ajustar o tipo de feedback. 4. Observe e reflita:Anote o que funcionou, o que não funcionou e como pode adaptar. 5. Compartilhe com colegas:Falar sobre ciência aplicada fortalece a profissão e motiva outros professores. 5. Superando o medo de “não entender os artigos” Muitos profissionais têm medo de ler artigos científicos porque acham que é difícil. E às vezes é mesmo — mas não precisa ser solitário. Você pode: Conclusão: mudar a prática é possível, e começa com pequenas escolhas A prática baseada em evidências não exige perfeição, e sim compromisso com o conhecimento. Ao adotar essa postura, você se torna um agente de transformação — para seus alunos, para a Educação Física e para você mesma como profissional.

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O que é prática baseada em evidências e por que isso importa na Educação Física?

Em um cenário onde a Educação Física ainda enfrenta muitos mitos e repetições sem fundamento, adotar uma prática baseada em evidências científicas não é apenas uma opção: é um diferencial necessário. Essa abordagem ajuda o profissional de Educação Física a tomar decisões mais embasadas, eficazes e alinhadas com os objetivos reais de ensino e aprendizagem — especialmente quando falamos em comportamento motor.

Mas como sair do “eu sempre fiz assim” para uma prática realmente fundamentada? É isso que vamos explorar neste post.

1. O que significa prática baseada em evidências na Educação Física?

Prática baseada em evidências é um modelo que surgiu na área da saúde, mas hoje é amplamente defendido na educação. Ela envolve tomar decisões profissionais com base na melhor evidência científica disponível, aliada à experiência do professor e às características do contexto e dos alunos.

Ou seja: não basta um artigo dizer algo.

É preciso pensar: isso faz sentido na minha realidade?

E mais importante: meus alunos estão respondendo bem a isso?

2. Por que isso é essencial para quem trabalha com comportamento motor?

A área de comportamento motor é rica em estudos que mostram o que realmente funciona no ensino de habilidades motoras, desenvolvimento de competências e promoção da aprendizagem.

Quando você se apoia em evidências:

  • Evita erros comuns, como dar feedbacks ineficazes ou aplicar práticas desatualizadas
  • Desenvolve estratégias que realmente ajudam seus alunos a aprender
  • Aumenta sua autoridade como profissional

3. Onde encontrar boas evidências científicas?

Você não precisa ser pesquisador para se atualizar. Aqui estão alguns caminhos:

  • Bases gratuitas:
    • Cochrane (https://www.cochranelibrary.com/search)
    • Pubmed (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/)
    • ERIC (Education Resources Information Center)

4. Como aplicar essas evidências na sua prática?

Aqui vai um passo a passo simples:

1. Escolha um desafio:
Por exemplo: “Meus alunos não conseguem manter a atenção durante a prática de habilidades motoras.”

2. Procure evidências:
Busque artigos científicos sobre atenção, foco e variabilidade na aprendizagem.

3. Teste pequenas mudanças:
Aplique uma estratégia baseada no que leu, como variar mais as tarefas ou ajustar o tipo de feedback.

4. Observe e reflita:
Anote o que funcionou, o que não funcionou e como pode adaptar.

5. Compartilhe com colegas:
Falar sobre ciência aplicada fortalece a profissão e motiva outros professores.

5. Superando o medo de “não entender os artigos”

Muitos profissionais têm medo de ler artigos científicos porque acham que é difícil. E às vezes é mesmo — mas não precisa ser solitário. Você pode:

  • Utilizar ferramentas de tradução, como Google Tradutor (ele traduz o artigo todo de uma só vez).
  • Trocar ideias com colegas
  • Usar ferramentas como o ChatGPT e NotebookLM para te ajudar a entender o conteúdo.
  • Participar de comunidades, grupos e cursos que abordem ciência de forma aplicada

Conclusão: mudar a prática é possível, e começa com pequenas escolhas A prática baseada em evidências não exige perfeição, e sim compromisso com o conhecimento. Ao adotar essa postura, você se torna um agente de transformação — para seus alunos, para a Educação Física e para você mesma como profissional.

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Exercícios físico é questão de saúde!! https://blog.heyduca.com.br/exercicios-fisico-e-questao-de-saude/ https://blog.heyduca.com.br/exercicios-fisico-e-questao-de-saude/#respond Tue, 05 Aug 2025 13:11:53 +0000 https://blog.heyduca.com.br/?p=787 Nós, profissionais de Educação Física, sabemos: a saúde é a base da qualidade de vida, e a prática de exercícios é o motor de uma vida plena, longeva e feliz. Como pontuam Araújo e Araújo (2000), as práticas corporais deveriam ser parte intrínseca do cotidiano, da cultura, dos tratamentos médicos, do planejamento familiar e até da educação infantil. Mas como podemos fortalecer essa visão e aplicá-la em nossa prática? Aptidão Física: A Chave Mestra da Saúde e Qualidade de Vida A prática regular de exercícios não é um mero passatempo; ela é a ferramenta que aprimora a aptidão física, essencial para a saúde e a qualidade de vida. Aptidão física, como sabemos, é a capacidade de realizar um esforço físico sem fadiga excessiva (Araújo; Araújo, 2000; Sharkey, 2012). Ela se divide em: Quando sobrecarregamos o sistema cardiovascular e musculoesquelético de forma progressiva e regular, o corpo se adapta, promovendo a aptidão física. Isso significa que, com a consistência, nossos alunos e pacientes serão capazes de fazer muito mais do que imaginavam! Os benefícios são amplos e impactam positivamente a potência aeróbica, força, flexibilidade, agilidade, equilíbrio, coordenação motora, velocidade e composição corporal, além de estarem associados a uma menor mortalidade e maior qualidade de vida (Araújo; Araújo, 2000). É uma inter-relação poderosa: atividade física melhora a aptidão, que por sua vez promove a saúde e a qualidade de vida. A inatividade, por outro lado, cria um ciclo negativo que prejudica todos esses aspectos. Nosso trabalho é quebrar esse ciclo! Envelhecer com Vigor: Hábitos que Fazem a Diferença O envelhecimento não precisa ser sinônimo de declínio. Pessoas que mantêm um estilo de vida ativo vivem mais e melhor. A prática de atividade física é um fator protetivo contra doenças, um impulsionador da saúde e do bem-estar, e um verdadeiro elixir da longevidade. Sharkey (2012) destaca que a saúde e a longevidade estão diretamente ligadas a hábitos simples, mas poderosos. Como profissionais, devemos reforçar a importância de: A idade cronológica (anos vividos) nem sempre reflete a idade fisiológica. Um indivíduo de 55 anos fisicamente ativo pode ter o mesmo desempenho e saúde de alguém de 25, provando que nossas escolhas de estilo de vida são mais determinantes que o passar dos anos (Sharkey, 2012). Quebrando Barreiras: O Nosso Desafio e Oportunidade Apesar de todos os benefícios inegáveis, a inatividade física ainda é uma realidade para grande parte da população. Fatores como gênero, nível socioeconômico, estado civil, escolaridade, obesidade, tabagismo, alcoolismo, condições ambientais, transporte, segurança, autoimagem negativa e autopercepção de saúde influenciam essa falta de engajamento (Krug; Lopes; Mazo, 2015). Pesquisas com idosas inativas (Krug; Lopes; Mazo, 2015) apontam barreiras como: Em contrapartida, os facilitadores que impulsionam a prática são: Para adolescentes (Dias et al., 2015), as barreiras incluem falta de companhia, preferência por outras atividades e preguiça. Já em parques públicos (Silva; Petroski; Reis, 2009), fatores ambientais como chuva, poluição, falta de segurança e serviços de emergência podem ser entraves, enquanto a beleza e localização do parque, infraestrutura (pista de caminhada/corrida) e apoio de amigos são motivadores. Entender essas barreiras (ambientais, físicas, sociais, mentais e socioeconômicas) é o primeiro passo para criarmos estratégias eficazes que promovam a adesão e a permanência na prática de atividades físicas. Exercício para a Saúde: As Diretrizes da OMS na Prática A capacidade aeróbia e o treinamento resistido são os pilares da aptidão física para a saúde. A primeira, relacionada ao sistema cardiorrespiratório e musculoesquelético, é trabalhada com exercícios regulares, de maior duração e intensidade leve a moderada (acima das atividades diárias). A intensidade, duração e frequência são variáveis cruciais. Embora exercícios extenuantes tragam riscos, o sedentarismo é, de longe, o maior perigo. Caminhada, corrida, natação e ciclismo são exemplos de atividades aeróbicas. O treinamento resistido (contra uma resistência, seja o peso corporal, máquinas ou equipamentos, como na musculação) desenvolve força e resistência muscular. O ganho de força, resultado da hipertrofia, melhora a capacidade de realizar atividades diárias como carregar compras e tarefas domésticas, além de promover melhor postura, menos fadiga e dor muscular. Em idosos, é fundamental para prevenir e tratar a sarcopenia (perda de massa muscular com a idade). As Diretrizes da OMS (2020) são nosso guia para prescrevermos com eficácia: É crucial lembrar que a intensidade é individual, dependendo do condicionamento, individualidade biológica, limitações e objetivos. Para a saúde, atividades moderadas geralmente oferecem ótimos resultados com menores riscos. A Educação Física como Promotora de Escolhas Conscientes Nossas escolhas diárias moldam nossa qualidade de vida. Manter uma alimentação saudável, não fumar, evitar o abuso de álcool e, principalmente, praticar atividades físicas são hábitos que influenciam positivamente a vida como um todo, promovendo bem-estar, saúde e um envelhecimento mais saudável e feliz. Como profissionais da área, temos o conhecimento e a expertise para guiar as pessoas nessa jornada. Nosso papel é fundamental para transformar essas recomendações em realidade, superando barreiras e construindo um futuro com mais saúde e longevidade para todos. Qual estratégia você considera mais eficaz para engajar a população na prática regular de exercícios e superar as barreiras de inatividade? Compartilhe sua experiência!

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Nós, profissionais de Educação Física, sabemos: a saúde é a base da qualidade de vida, e a prática de exercícios é o motor de uma vida plena, longeva e feliz. Como pontuam Araújo e Araújo (2000), as práticas corporais deveriam ser parte intrínseca do cotidiano, da cultura, dos tratamentos médicos, do planejamento familiar e até da educação infantil. Mas como podemos fortalecer essa visão e aplicá-la em nossa prática?

Aptidão Física: A Chave Mestra da Saúde e Qualidade de Vida

A prática regular de exercícios não é um mero passatempo; ela é a ferramenta que aprimora a aptidão física, essencial para a saúde e a qualidade de vida. Aptidão física, como sabemos, é a capacidade de realizar um esforço físico sem fadiga excessiva (Araújo; Araújo, 2000; Sharkey, 2012). Ela se divide em:

  • Capacidade Aeróbia: Habilidade de realizar tarefas contínuas que envolvem grandes grupos musculares, como caminhar, correr, pedalar.
  • Capacidade Muscular: Habilidade de vencer uma resistência ou deslocar uma carga através de contrações musculares, englobando força, resistência e potência.

Quando sobrecarregamos o sistema cardiovascular e musculoesquelético de forma progressiva e regular, o corpo se adapta, promovendo a aptidão física. Isso significa que, com a consistência, nossos alunos e pacientes serão capazes de fazer muito mais do que imaginavam! Os benefícios são amplos e impactam positivamente a potência aeróbica, força, flexibilidade, agilidade, equilíbrio, coordenação motora, velocidade e composição corporal, além de estarem associados a uma menor mortalidade e maior qualidade de vida (Araújo; Araújo, 2000).

É uma inter-relação poderosa: atividade física melhora a aptidão, que por sua vez promove a saúde e a qualidade de vida. A inatividade, por outro lado, cria um ciclo negativo que prejudica todos esses aspectos. Nosso trabalho é quebrar esse ciclo!

Fonte: PEXELS

Envelhecer com Vigor: Hábitos que Fazem a Diferença

O envelhecimento não precisa ser sinônimo de declínio. Pessoas que mantêm um estilo de vida ativo vivem mais e melhor. A prática de atividade física é um fator protetivo contra doenças, um impulsionador da saúde e do bem-estar, e um verdadeiro elixir da longevidade.

Sharkey (2012) destaca que a saúde e a longevidade estão diretamente ligadas a hábitos simples, mas poderosos. Como profissionais, devemos reforçar a importância de:

  • Sono adequado: Em média, de 7 a 8 horas por noite.
  • Café da manhã nutritivo: A primeira e importante refeição do dia.
  • Refeições regulares: Evitar lanches excessivos.
  • Controle do peso: Manter um Índice de Massa Corporal (IMC) saudável.
  • Não fumar: Evitar esse grande vilão da saúde.
  • Pouco ou nenhum consumo de álcool: Moderação é a chave.
  • Prática regular de exercícios: Onde nosso conhecimento e atuação são cruciais!

A idade cronológica (anos vividos) nem sempre reflete a idade fisiológica. Um indivíduo de 55 anos fisicamente ativo pode ter o mesmo desempenho e saúde de alguém de 25, provando que nossas escolhas de estilo de vida são mais determinantes que o passar dos anos (Sharkey, 2012).

Quebrando Barreiras: O Nosso Desafio e Oportunidade

Apesar de todos os benefícios inegáveis, a inatividade física ainda é uma realidade para grande parte da população. Fatores como gênero, nível socioeconômico, estado civil, escolaridade, obesidade, tabagismo, alcoolismo, condições ambientais, transporte, segurança, autoimagem negativa e autopercepção de saúde influenciam essa falta de engajamento (Krug; Lopes; Mazo, 2015).

Pesquisas com idosas inativas (Krug; Lopes; Mazo, 2015) apontam barreiras como:

  • Limitações físicas e doenças.
  • Falta de disposição e excesso de cuidado familiar.
  • Exercícios inadequados ou falta de experiência.
  • Medo de quedas e a própria idade.

Em contrapartida, os facilitadores que impulsionam a prática são:

  • Prazer e socialização.
  • Benefícios percebidos da atividade física.
  • Exercícios adequados e companhia.

Para adolescentes (Dias et al., 2015), as barreiras incluem falta de companhia, preferência por outras atividades e preguiça. Já em parques públicos (Silva; Petroski; Reis, 2009), fatores ambientais como chuva, poluição, falta de segurança e serviços de emergência podem ser entraves, enquanto a beleza e localização do parque, infraestrutura (pista de caminhada/corrida) e apoio de amigos são motivadores. Entender essas barreiras (ambientais, físicas, sociais, mentais e socioeconômicas) é o primeiro passo para criarmos estratégias eficazes que promovam a adesão e a permanência na prática de atividades físicas.

Fonte: PEXELS

Exercício para a Saúde: As Diretrizes da OMS na Prática

A capacidade aeróbia e o treinamento resistido são os pilares da aptidão física para a saúde. A primeira, relacionada ao sistema cardiorrespiratório e musculoesquelético, é trabalhada com exercícios regulares, de maior duração e intensidade leve a moderada (acima das atividades diárias).

A intensidade, duração e frequência são variáveis cruciais. Embora exercícios extenuantes tragam riscos, o sedentarismo é, de longe, o maior perigo. Caminhada, corrida, natação e ciclismo são exemplos de atividades aeróbicas.

O treinamento resistido (contra uma resistência, seja o peso corporal, máquinas ou equipamentos, como na musculação) desenvolve força e resistência muscular. O ganho de força, resultado da hipertrofia, melhora a capacidade de realizar atividades diárias como carregar compras e tarefas domésticas, além de promover melhor postura, menos fadiga e dor muscular. Em idosos, é fundamental para prevenir e tratar a sarcopenia (perda de massa muscular com a idade).

As Diretrizes da OMS (2020) são nosso guia para prescrevermos com eficácia:

  • Crianças e adolescentes (5 a 17 anos): Pelo menos 60 minutos/dia de AF moderada a vigorosa (aeróbica em sua maioria), com limitação do tempo de tela.
  • Adultos (18 a 64 anos): 150 a 300 minutos/semana de AF aeróbica moderada OU 75 a 150 minutos/semana vigorosa (ou combinação equivalente). Adicionalmente, 2 dias/semana de fortalecimento muscular moderado ou vigoroso para grandes grupos musculares. Para benefícios extras, aumentar o tempo de aeróbicos.
  • Idosos (acima de 65 anos): Mesmas recomendações de aeróbicos e fortalecimento dos adultos. Adicionalmente, realizar pelo menos 3 dias/semana de exercícios multicomponentes que enfatizem o equilíbrio funcional e treinamento de força moderado a vigoroso.

É crucial lembrar que a intensidade é individual, dependendo do condicionamento, individualidade biológica, limitações e objetivos. Para a saúde, atividades moderadas geralmente oferecem ótimos resultados com menores riscos.

A Educação Física como Promotora de Escolhas Conscientes

Nossas escolhas diárias moldam nossa qualidade de vida. Manter uma alimentação saudável, não fumar, evitar o abuso de álcool e, principalmente, praticar atividades físicas são hábitos que influenciam positivamente a vida como um todo, promovendo bem-estar, saúde e um envelhecimento mais saudável e feliz.

Como profissionais da área, temos o conhecimento e a expertise para guiar as pessoas nessa jornada. Nosso papel é fundamental para transformar essas recomendações em realidade, superando barreiras e construindo um futuro com mais saúde e longevidade para todos.

Qual estratégia você considera mais eficaz para engajar a população na prática regular de exercícios e superar as barreiras de inatividade? Compartilhe sua experiência!

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Saúde e longevidade: O impacto da atividade física https://blog.heyduca.com.br/saude-e-longevidade-o-impacto-da-atividade-fisica/ https://blog.heyduca.com.br/saude-e-longevidade-o-impacto-da-atividade-fisica/#respond Tue, 29 Jul 2025 00:13:01 +0000 https://blog.heyduca.com.br/?p=782 A medicina e a tecnologia avançam, a urbanização se expande e a pesquisa em saúde não para. O resultado? Uma expectativa de vida crescente, especialmente em países desenvolvidos e em desenvolvimento. Estamos no auge de uma transição demográfica, com menos nascimentos e um número cada vez maior de pessoas alcançando a terceira idade. Isso significa que, mais do que nunca, a sociedade precisa de profissionais preparados para um envelhecimento com qualidade de vida, independência e autonomia. E é aqui que a Educação Física entra como peça-chave! Qualidade de Vida na Terceira Idade: Um Universo de Individualidades Os idosos não são um grupo homogêneo. A diversidade é imensa: diferentes ocupações, etnias, religiões, costumes e hábitos de vida. Essa pluralidade torna a definição de “qualidade de vida” para essa população uma tarefa complexa, mas fascinante, devido à enorme individualidade de cada um. Heide (2020) aponta que a qualidade de vida é determinada pela capacidade de preservar a identidade ao longo da vida. Estudos globais reforçam que ela engloba: O envelhecimento traz consigo desafios como a perda de amigos e familiares, a lida com o luto, a discriminação e a falta de paciência dos mais jovens. A aposentadoria, embora esperada, pode gerar uma redefinição do papel social, diminuição da renda e, por vezes, dependência familiar. Diante de tudo isso, nosso trabalho se torna ainda mais relevante. Os Impactos Fisiológicos do Tempo e o Poder do Exercício É natural: com o avanço da idade, nosso organismo apresenta perdas funcionais. Essas mudanças, que se tornam mais visíveis a partir dos 30 anos e se acentuam após os 50, afetam todos os sistemas corporais. Observamos: Embora essas perdas sejam normais, sua intensidade é moldada pelo estilo de vida e pela genética de cada indivíduo. E é aqui que entra o exercício físico como um verdadeiro super-herói! A prática regular de exercício físico tem o poder de desacelerar os efeitos negativos do envelhecimento. Ele comprovadamente melhora as respostas fisiológicas em idosos sedentários, nonagenários, frágeis e com sarcopenia (perda de massa muscular). Por isso, a Organização Mundial da Saúde (OMS) (2020) recomenda: Os Benefícios Inquestionáveis: Apesar de todos esses benefícios, cerca de 31% da população mundial não atinge as recomendações da OMS. E, ironicamente, os idosos, que mais se beneficiariam, são os mais propensos à inatividade física, muitas vezes por questões culturais, falta de disposição ou apoio familiar. É nossa missão reverter esse quadro! A prática regular de atividade física é um fator protetivo contra declínios cognitivos e doenças relacionadas à demência, garantindo um envelhecimento mais saudável (CUNNINGHAM et al., 2019). Doenças Crônicas e a Epidemia da Inatividade: A Atuação da Ed. Física A transição demográfica que vivemos é acompanhada por uma transição epidemiológica. Antigamente, muitas mortes eram causadas por doenças infecciosas. Hoje, graças aos avanços da medicina, o panorama mudou. As principais inimigas da saúde são as doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs), desenvolvidas ao longo da vida devido ao envelhecimento, genética ou, em grande parte, a um estilo de vida inadequado (alimentação, sono, estresse e, claro, a falta de atividade física). DCNTs comuns incluem diabetes, hipertensão, aterosclerose, obesidade, osteoporose, câncer, Alzheimer, Parkinson, entre outras. É comum que idosos apresentem multimorbidade (duas ou mais DCNTs), um cenário que se agrava com a baixa qualidade de vida e a incapacidade funcional. A boa notícia? O exercício físico é uma das ferramentas mais eficazes no tratamento dessas doenças e na diminuição de seus sintomas! Diante de todas essas evidências científicas, surge a grande questão: se o exercício físico é tão vital, por que idosos e pessoas com doenças crônicas ainda não se exercitam? A resposta é multifatorial e exige nossa atenção para superar as barreiras: Nosso Compromisso com um Envelhecimento Digno e Ativo A qualidade de vida na terceira idade começa a ser construída muito antes, na vida adulta. Como profissionais de Educação Física, temos a capacidade de traçar estratégias para amenizar os declínios e perdas do envelhecimento, inserindo o exercício físico como um fator protetivo, de tratamento e promoção da saúde. Além disso, devemos incentivar o desenvolvimento emocional e mental, que são cruciais para enfrentar os desafios sociais, físicos e emocionais que surgirão. Estamos diante de uma oportunidade única de impactar milhares de vidas, garantindo que o envelhecimento seja sinônimo de qualidade, autonomia e bem-estar. Qual será o seu próximo passo para abraçar esse desafio? Fonte: BLISS, E.; BIKI, S. M.; WONG, R. H. X.; HOWE, P. R.; MILLS, D. E. The benefits of regular aerobic exercises on cerebrovascular function and cognition in older adults. European Journal of Applied Physiology, 2023. COLLADO-MATEO, D. et al. Key factors associated with adherence to physical exercise in patients with chronic disease and older adults: an umbrella review. International Journal of Environmental Research and Public Health, 2021. CUNNINGHAN, C.; O`SULLIVAN, R.; CASEROTTI, P.; TULLY, M. A. Consequences of physical inactivity in older adults: a systematic review of reviews and meta-analysis. Scandinavian Journal of Medicine and Science of Sports, 2020. HEIDE, S. Autonomy, identity and health: defining quality of life in older age. Medical Ethics, 2022.  KASHI, S. K.; MIRZAZADEH, Z. S.; SAATCHIAN, V. A systematic review and meta-analysis of resistance training on quality of life, depression, muscle strength, and functional exercise capacity in older adults aged 60 years or more. Biological Research for Nursing, 2022. ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Recomendações globais de atividade física para a saúde, 2020.

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A medicina e a tecnologia avançam, a urbanização se expande e a pesquisa em saúde não para. O resultado? Uma expectativa de vida crescente, especialmente em países desenvolvidos e em desenvolvimento. Estamos no auge de uma transição demográfica, com menos nascimentos e um número cada vez maior de pessoas alcançando a terceira idade. Isso significa que, mais do que nunca, a sociedade precisa de profissionais preparados para um envelhecimento com qualidade de vida, independência e autonomia. E é aqui que a Educação Física entra como peça-chave!

Qualidade de Vida na Terceira Idade: Um Universo de Individualidades

Os idosos não são um grupo homogêneo. A diversidade é imensa: diferentes ocupações, etnias, religiões, costumes e hábitos de vida. Essa pluralidade torna a definição de “qualidade de vida” para essa população uma tarefa complexa, mas fascinante, devido à enorme individualidade de cada um.

Heide (2020) aponta que a qualidade de vida é determinada pela capacidade de preservar a identidade ao longo da vida. Estudos globais reforçam que ela engloba:

  • Recursos sociais adequados: Não só interações, mas também apoio em emergências.
  • Saúde física e psicológica: Bem-estar integral.
  • Independência: Capacidade de realizar atividades do dia a dia.
  • Aspectos financeiros: Estabilidade e segurança.
  • Segurança: Sentir-se protegido.
  • Participação social: Engajamento na comunidade.

O envelhecimento traz consigo desafios como a perda de amigos e familiares, a lida com o luto, a discriminação e a falta de paciência dos mais jovens. A aposentadoria, embora esperada, pode gerar uma redefinição do papel social, diminuição da renda e, por vezes, dependência familiar. Diante de tudo isso, nosso trabalho se torna ainda mais relevante.

Os Impactos Fisiológicos do Tempo e o Poder do Exercício

É natural: com o avanço da idade, nosso organismo apresenta perdas funcionais. Essas mudanças, que se tornam mais visíveis a partir dos 30 anos e se acentuam após os 50, afetam todos os sistemas corporais. Observamos:

  • Pele: Perda de colágeno e flacidez.
  • Fisiologia: Aumento da pressão arterial, perda de massa óssea e muscular, aumento de gordura corporal.
  • Sistemas: Alterações nos sistemas neurológico, imunológico e endócrino.

Embora essas perdas sejam normais, sua intensidade é moldada pelo estilo de vida e pela genética de cada indivíduo. E é aqui que entra o exercício físico como um verdadeiro super-herói!

A prática regular de exercício físico tem o poder de desacelerar os efeitos negativos do envelhecimento. Ele comprovadamente melhora as respostas fisiológicas em idosos sedentários, nonagenários, frágeis e com sarcopenia (perda de massa muscular).

Por isso, a Organização Mundial da Saúde (OMS) (2020) recomenda:

  • Atividade aeróbica: Mínimo de 150 minutos/semana de intensidade moderada ou 75 minutos/semana de intensidade vigorosa.
  • Exercícios resistidos (força/musculação): Pelo menos duas vezes por semana.

Os Benefícios Inquestionáveis:

  • Exercícios Resistidos:
    • Ganho de massa muscular e força.
    • Auxílio nas atividades diárias, promovendo mobilidade e independência.
    • Redução do risco de quedas e fragilidade.
    • Melhora em aspectos psicológicos como depressão e ansiedade (KASHI; MIRZAZADEH; SAATCHIAN, 2022).
  • Exercícios Aeróbicos:
    • Melhora da aptidão cardiorrespiratória e VO2máx.
    • Otimização do bombeamento de sangue e diminuição da pressão arterial e frequência cardíaca.
    • Papel crucial no tratamento de depressão e ansiedade, e nas funções cognitivas e cerebrovasculares (BLISS et al., 2022).

Apesar de todos esses benefícios, cerca de 31% da população mundial não atinge as recomendações da OMS. E, ironicamente, os idosos, que mais se beneficiariam, são os mais propensos à inatividade física, muitas vezes por questões culturais, falta de disposição ou apoio familiar.

É nossa missão reverter esse quadro! A prática regular de atividade física é um fator protetivo contra declínios cognitivos e doenças relacionadas à demência, garantindo um envelhecimento mais saudável (CUNNINGHAM et al., 2019).

Doenças Crônicas e a Epidemia da Inatividade: A Atuação da Ed. Física

A transição demográfica que vivemos é acompanhada por uma transição epidemiológica. Antigamente, muitas mortes eram causadas por doenças infecciosas. Hoje, graças aos avanços da medicina, o panorama mudou. As principais inimigas da saúde são as doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs), desenvolvidas ao longo da vida devido ao envelhecimento, genética ou, em grande parte, a um estilo de vida inadequado (alimentação, sono, estresse e, claro, a falta de atividade física).

DCNTs comuns incluem diabetes, hipertensão, aterosclerose, obesidade, osteoporose, câncer, Alzheimer, Parkinson, entre outras. É comum que idosos apresentem multimorbidade (duas ou mais DCNTs), um cenário que se agrava com a baixa qualidade de vida e a incapacidade funcional.

A boa notícia? O exercício físico é uma das ferramentas mais eficazes no tratamento dessas doenças e na diminuição de seus sintomas!

  • Redução de Mortalidade: 150 minutos/semana de atividade moderada a vigorosa podem reduzir a mortalidade por todas as causas em 28%, e por doenças coronarianas em até 40% (CUNNINGHAM et al., 2019).
  • Prevenção de Fraturas: Redução de 29% no risco de fraturas ósseas.
  • Capacidade Funcional: Redução de 49% na incidência de incapacidade nas atividades básicas da vida diária e cerca de 50% no risco de limitações funcionais.
  • Saúde Mental: Maiores níveis de atividade física estão associados a menores declínios cognitivos, redução do risco de demência, doença de Alzheimer e depressão (CUNNINGHAM et al., 2019).

Diante de todas essas evidências científicas, surge a grande questão: se o exercício físico é tão vital, por que idosos e pessoas com doenças crônicas ainda não se exercitam?

A resposta é multifatorial e exige nossa atenção para superar as barreiras:

  • Individualização e Prazer: O exercício deve ser individualizado, cientificamente correto e não excessivamente longo. Precisa ser prazeroso e livre de experiências desagradáveis.
  • Equipe Multidisciplinar: A colaboração com psicólogos, médicos, nutricionistas e fisioterapeutas é essencial.
  • Supervisão e Tecnologia: A supervisão durante as sessões e o uso de tecnologias (aplicativos, relógios, equipamentos) podem ser motivadores.
  • Identificação de Barreiras e Facilitadores: Compreender hábitos anteriores, explorar o que impede e o que motiva, e buscar alternativas.
  • Educação e Expectativas: Educar o participante sobre riscos e benefícios, ajustando expectativas.
  • Integração na Vida Diária: Transformar o exercício em um hábito, incorporando-o à rotina.
  • Apoio Social e Pertencimento: O suporte de familiares, amigos e instrutores, além do sentimento de pertencimento a um grupo.
  • Comunicação e Feedback: Feedback constante sobre o progresso.
  • Autoeficácia e Competência: Fortalecer a crença do idoso em sua própria capacidade.
  • Papel Ativo e Metas: Incentivar o automonitoramento, autocontrole e autonomia, além da definição de metas claras (COLLADO-MATEO, et al., 2021).

Nosso Compromisso com um Envelhecimento Digno e Ativo

A qualidade de vida na terceira idade começa a ser construída muito antes, na vida adulta. Como profissionais de Educação Física, temos a capacidade de traçar estratégias para amenizar os declínios e perdas do envelhecimento, inserindo o exercício físico como um fator protetivo, de tratamento e promoção da saúde.

Além disso, devemos incentivar o desenvolvimento emocional e mental, que são cruciais para enfrentar os desafios sociais, físicos e emocionais que surgirão.

Estamos diante de uma oportunidade única de impactar milhares de vidas, garantindo que o envelhecimento seja sinônimo de qualidade, autonomia e bem-estar. Qual será o seu próximo passo para abraçar esse desafio?

Fonte: BLISS, E.; BIKI, S. M.; WONG, R. H. X.; HOWE, P. R.; MILLS, D. E. The benefits of regular aerobic exercises on cerebrovascular function and cognition in older adults. European Journal of Applied Physiology, 2023.

COLLADO-MATEO, D. et al. Key factors associated with adherence to physical exercise in patients with chronic disease and older adults: an umbrella review. International Journal of Environmental Research and Public Health, 2021.

CUNNINGHAN, C.; O`SULLIVAN, R.; CASEROTTI, P.; TULLY, M. A. Consequences of physical inactivity in older adults: a systematic review of reviews and meta-analysis. Scandinavian Journal of Medicine and Science of Sports, 2020.

HEIDE, S. Autonomy, identity and health: defining quality of life in older age. Medical Ethics, 2022. 

KASHI, S. K.; MIRZAZADEH, Z. S.; SAATCHIAN, V. A systematic review and meta-analysis of resistance training on quality of life, depression, muscle strength, and functional exercise capacity in older adults aged 60 years or more. Biological Research for Nursing, 2022.

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Recomendações globais de atividade física para a saúde, 2020.

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TEA e Exercício: Desafios e Oportunidades para o Profissional de Educação Física https://blog.heyduca.com.br/tea-e-exercicio-desafios-e-oportunidades-para-o-profissional-de-educacao-fisica/ https://blog.heyduca.com.br/tea-e-exercicio-desafios-e-oportunidades-para-o-profissional-de-educacao-fisica/#respond Tue, 22 Jul 2025 12:45:46 +0000 https://blog.heyduca.com.br/?p=774 O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um grupo de condições do neurodesenvolvimento que afetam a forma como uma pessoa se relaciona e se comunica com o mundo. Ele se manifesta por dificuldades na interação social, na comunicação e por padrões de comportamento restritos e repetitivos. Importante: o TEA engloba uma diversidade de manifestações e gravidades, geralmente observadas precocemente, por volta dos três anos de idade. Pessoas com TEA podem apresentar desafios em diversas áreas, como: Diagnóstico do TEA: Níveis de Suporte e Classificações Dois documentos originais reconhecem o TEA: (1) CID-10 (Classificação Internacional de Doenças) e DSM-V-TR (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais. O diagnóstico do TEA é feito com base nos critérios estabelecidos pelo DSM-V-TR (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders – 5ª edição – revisada) e é classificado em três níveis, de acordo com o suporte necessário: Além dos níveis de suporte, o TEA pode ser classificado considerando outros fatores, como: Movimento e TEA: Desvendando as Dificuldades Motoras Embora as dificuldades motoras não estejam nos critérios diagnósticos formais do TEA, muitas pesquisas têm demonstrado a presença de movimentos atípicos e padrões motores amplos incomuns em pessoas com o transtorno. É comum observar: Um estudo de revisão sistemática recente de Wang et al. (2022) concluiu que crianças e adolescentes com TEA podem apresentar um déficit motor geral significativo, com maiores desafios em habilidades de controle de objetos, seguido por equilíbrio e postura, e movimentos da parte superior do corpo. A Conexão entre Habilidades Motoras e Sociais no TEA Interessantemente, pesquisas como a de Fitzpatrick et al. (2017) sugerem uma correlação entre habilidades sociais e motoras em crianças com TEA. Em um estudo de imitação e sincronização de movimentos, crianças com TEA demonstraram mais dificuldades em imitar e sincronizar movimentos com outras pessoas, além de apresentarem um padrão de sincronização social menos estável e movimentos mais lentos e variáveis em tempo e espaço. Isso nos leva a uma importante reflexão: as habilidades sociais podem interferir nas habilidades motoras, especialmente nas interpessoais. Essa conexão aponta para a possibilidade de que intervenções focadas em atividades motoras que promovam a sincronização possam ser uma alternativa para o desenvolvimento das habilidades sociais em crianças com TEA. No entanto, é fundamental destacar que mais pesquisas são necessárias para aprofundar esse entendimento. Exercício Físico e Habilidades Motoras no TEA: O Poder da Prática Visto que as dificuldades motoras são uma realidade para muitas crianças com TEA, a grande questão é: exercícios que trabalham essas habilidades motoras podem realmente melhorá-las? Embora as pesquisas sobre esse tema ainda sejam recentes, os resultados são promissores! Um estudo de Dong et al. (2021) observou 22 crianças com TEA que praticaram habilidades motoras (como correr, saltar, arremessar, driblar – habilidades presentes no TGMD-3) por 80 minutos, três vezes por semana, durante nove semanas. Os resultados foram animadores: houve uma melhora significativa no desempenho de todas as habilidades motoras logo após a prática, e essa melhora se manteve para as habilidades locomotoras mesmo dois meses depois. Apesar de uma limitação metodológica no grupo controle, este estudo acende uma luz: a prática de habilidades motoras promove aprendizado e melhora do desempenho motor em crianças com TEA. Avaliação Motora no TEA: Desafios e Adaptações Ao falarmos em avaliação motora, surge a dúvida: os testes motores convencionais são válidos para crianças com TEA? Estudos sugerem que o desempenho motor reduzido em crianças com TEA pode não ser apenas resultado de um déficit motor ou falta de competência em habilidades motoras fundamentais. Muitas vezes, a dificuldade reside na não compreensão da tarefa (Berkeley et al. 2001; Bhat et al., 2011; Green et al., 2009; Staples; Reid, 2010). Pensando nisso, Allen et al. (2017) desenvolveram uma alternativa visual para avaliar as habilidades motoras fundamentais de crianças com TEA. O instrumento de avaliação permanece o mesmo (como o TGMD-3), mas os autores adicionaram uma escala visual com imagens dos critérios de cada tarefa. Assim, a criança recebe a instrução por meio da fala, da demonstração e do suporte visual das imagens. Essa adaptação se mostrou válida e com boa reprodutibilidade na aplicação com crianças com TEA. É uma ferramenta promissora, que, esperamos, em breve esteja disponível e validada em português. Recentemente, o Ministério do Esporte elaborou um Guia de Atividade Física para Pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), que está disponível de graça em: https://www.gov.br/esporte/pt-br/noticias-e-conteudos/esporte/copy_of_GuiadeAtividadeFsica_NOVADIAGRAMAO.pdf. Fontes: BERKELEY, S. L.; ZITTEL, L. L.; PITNEY, L. V.; NICHOLS, S. E. Locomotor and object control skills of children diagnosed with autism. Adapted Physical Activity Quarterly, 18(4), 405–416, 2001. BHAT, A. N.; LANDA, R. J.; & GALLOWAY, J. C. Current perspectives on motor functioning in infants, children and adults with autism spectrum disorders. Physical Therapy, 91(7), 1116–1129, 2011. GREEN, D.; CHARMAN, T.; PICKLES, A.; CHANDLER, S.; LOUCAS, T.; SIMONOFF, E.; BAIRD, G. Impairment in movement skills of children with autistic spectrum disorders. Developmental Medicine & Child Neurology, 51(4), 311–316, 2009. STAPLES, K. L.; REID, G. Fundamental movement skills and autism spectrum disorders. Journal of Autism and Developmental Disorders, 40(2), 209–217, 2010. ALLEN, K. A. et al. Test of Gross Motor Development-3 (TGMD-3) with the Use of Visual Supports for Children with Autism Spectrum Disorder: Validity and Reliability. Journal of Autism and Developmental Disorders, v. 47, n. 3, p. 802-811, mar. 2017. DOI: 10.1007/s10803-016-3005-0. DONG, L. et al. FMS Effects of a Motor Program for Children With Autism Spectrum Disorders. Perceptual and Motor Skills, p. 1-22, 2021. DOI: 10.1177/00315125211010053. FITZPATRICK, P. et al. Evaluating the Importance of Social Motor Synchronization and Motor Skill for Understanding Autism. Autism Research, v. 10, n. 10, p. 1687-1699, out. 2017. DOI: 10.1002/aur.1808. WANG, L. A. L. et al. Gross Motor Impairment and Its Relation to Social Skills in Autism Spectrum Disorder: A Systematic Review and Two Meta-Analyses. Psychological Bulletin, v. 148, n. 3-4, p. 273-300, 2022. DOI: 10.1037/bul0000358.

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O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um grupo de condições do neurodesenvolvimento que afetam a forma como uma pessoa se relaciona e se comunica com o mundo. Ele se manifesta por dificuldades na interação social, na comunicação e por padrões de comportamento restritos e repetitivos. Importante: o TEA engloba uma diversidade de manifestações e gravidades, geralmente observadas precocemente, por volta dos três anos de idade.

Pessoas com TEA podem apresentar desafios em diversas áreas, como:

  • Comunicação e linguagem: Dificuldade para iniciar ou manter conversas, compreender nuances sociais e usar a linguagem de forma recíproca.
  • Aprendizado: Podem ter ritmos e formas de aprendizado diferentes, exigindo abordagens personalizadas.
  • Interação social recíproca: Desafios em compartilhar interesses, emoções e em compreender perspectivas alheias.
  • Comportamentos repetitivos e estereotipados: Movimentos repetitivos (balançar o corpo, agitar as mãos) ou adesão rígida a rotinas e rituais.
  • Pouca capacidade de adaptação: Dificuldade em lidar com mudanças ou situações inesperadas.

Diagnóstico do TEA: Níveis de Suporte e Classificações

Dois documentos originais reconhecem o TEA: (1) CID-10 (Classificação Internacional de Doenças) e DSM-V-TR (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais.

O diagnóstico do TEA é feito com base nos critérios estabelecidos pelo DSM-V-TR (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders – 5ª edição – revisada) e é classificado em três níveis, de acordo com o suporte necessário:

  • Nível 1 (Suporte): A pessoa precisa de algum apoio para intermediar suas relações sociais e interações com objetos.
  • Nível 2 (Suporte Substancial): Há déficits mais acentuados nas habilidades de comunicação social (verbal e não verbal) e interesses menos flexíveis. Respostas anormais a situações sociais são observadas.
  • Nível 3 (Suporte Muito Substancial): Caracteriza-se por déficits graves nas habilidades de comunicação social, grandes limitações nas interações e uma forte fixação em rituais repetitivos. Interrupções nesses rituais podem causar acentuado sofrimento.

Além dos níveis de suporte, o TEA pode ser classificado considerando outros fatores, como:

  • Com ou sem deficiência intelectual.
  • Com ou sem comprometimento da linguagem.
  • Associado a uma condição médica conhecida ou fator ambiental.
  • Associado a outra desordem de desenvolvimento comportamental ou mental.
  • Com ou sem catatonia.
Fonte: Pexels

Movimento e TEA: Desvendando as Dificuldades Motoras

Embora as dificuldades motoras não estejam nos critérios diagnósticos formais do TEA, muitas pesquisas têm demonstrado a presença de movimentos atípicos e padrões motores amplos incomuns em pessoas com o transtorno.

É comum observar:

  • Maneirismos motores estereotipados e sem propósito: Agitação das mãos, espremer-se, correr de um lado para outro, agitar os braços e andar nas pontas dos pés.
  • Dificuldade na marcha: A efetivação e o padrão da marcha podem ser incomuns.
  • Falha na motricidade fina: Dificuldades na escrita e em outras tarefas que exigem precisão manual.
  • Sintomas associados (muitas vezes sutis): Instabilidade postural, assimetria motora, hipotonia (redução do tônus muscular), atrasos no controle motor fino e no desenvolvimento de habilidades motoras fundamentais, além de déficits de coordenação motora e movimentação ocular.

Um estudo de revisão sistemática recente de Wang et al. (2022) concluiu que crianças e adolescentes com TEA podem apresentar um déficit motor geral significativo, com maiores desafios em habilidades de controle de objetos, seguido por equilíbrio e postura, e movimentos da parte superior do corpo.

A Conexão entre Habilidades Motoras e Sociais no TEA

Interessantemente, pesquisas como a de Fitzpatrick et al. (2017) sugerem uma correlação entre habilidades sociais e motoras em crianças com TEA. Em um estudo de imitação e sincronização de movimentos, crianças com TEA demonstraram mais dificuldades em imitar e sincronizar movimentos com outras pessoas, além de apresentarem um padrão de sincronização social menos estável e movimentos mais lentos e variáveis em tempo e espaço.

Isso nos leva a uma importante reflexão: as habilidades sociais podem interferir nas habilidades motoras, especialmente nas interpessoais. Essa conexão aponta para a possibilidade de que intervenções focadas em atividades motoras que promovam a sincronização possam ser uma alternativa para o desenvolvimento das habilidades sociais em crianças com TEA. No entanto, é fundamental destacar que mais pesquisas são necessárias para aprofundar esse entendimento.

Exercício Físico e Habilidades Motoras no TEA: O Poder da Prática

Visto que as dificuldades motoras são uma realidade para muitas crianças com TEA, a grande questão é: exercícios que trabalham essas habilidades motoras podem realmente melhorá-las?

Embora as pesquisas sobre esse tema ainda sejam recentes, os resultados são promissores!

Um estudo de Dong et al. (2021) observou 22 crianças com TEA que praticaram habilidades motoras (como correr, saltar, arremessar, driblar – habilidades presentes no TGMD-3) por 80 minutos, três vezes por semana, durante nove semanas. Os resultados foram animadores: houve uma melhora significativa no desempenho de todas as habilidades motoras logo após a prática, e essa melhora se manteve para as habilidades locomotoras mesmo dois meses depois. Apesar de uma limitação metodológica no grupo controle, este estudo acende uma luz: a prática de habilidades motoras promove aprendizado e melhora do desempenho motor em crianças com TEA.

Avaliação Motora no TEA: Desafios e Adaptações

Ao falarmos em avaliação motora, surge a dúvida: os testes motores convencionais são válidos para crianças com TEA?

Estudos sugerem que o desempenho motor reduzido em crianças com TEA pode não ser apenas resultado de um déficit motor ou falta de competência em habilidades motoras fundamentais. Muitas vezes, a dificuldade reside na não compreensão da tarefa (Berkeley et al. 2001; Bhat et al., 2011; Green et al., 2009; Staples; Reid, 2010).

Pensando nisso, Allen et al. (2017) desenvolveram uma alternativa visual para avaliar as habilidades motoras fundamentais de crianças com TEA. O instrumento de avaliação permanece o mesmo (como o TGMD-3), mas os autores adicionaram uma escala visual com imagens dos critérios de cada tarefa. Assim, a criança recebe a instrução por meio da fala, da demonstração e do suporte visual das imagens. Essa adaptação se mostrou válida e com boa reprodutibilidade na aplicação com crianças com TEA. É uma ferramenta promissora, que, esperamos, em breve esteja disponível e validada em português.

Recentemente, o Ministério do Esporte elaborou um Guia de Atividade Física para Pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), que está disponível de graça em: https://www.gov.br/esporte/pt-br/noticias-e-conteudos/esporte/copy_of_GuiadeAtividadeFsica_NOVADIAGRAMAO.pdf.

Fontes:

BERKELEY, S. L.; ZITTEL, L. L.; PITNEY, L. V.; NICHOLS, S. E. Locomotor and object control skills of children diagnosed with autism. Adapted Physical Activity Quarterly, 18(4), 405–416, 2001.

BHAT, A. N.; LANDA, R. J.; & GALLOWAY, J. C. Current perspectives on motor functioning in infants, children and adults with autism spectrum disorders. Physical Therapy, 91(7), 1116–1129, 2011.

GREEN, D.; CHARMAN, T.; PICKLES, A.; CHANDLER, S.; LOUCAS, T.; SIMONOFF, E.; BAIRD, G. Impairment in movement skills of children with autistic spectrum disorders. Developmental Medicine & Child Neurology, 51(4), 311–316, 2009.

STAPLES, K. L.; REID, G. Fundamental movement skills and autism spectrum disorders. Journal of Autism and Developmental Disorders, 40(2), 209–217, 2010.

ALLEN, K. A. et al. Test of Gross Motor Development-3 (TGMD-3) with the Use of Visual Supports for Children with Autism Spectrum Disorder: Validity and Reliability. Journal of Autism and Developmental Disorders, v. 47, n. 3, p. 802-811, mar. 2017. DOI: 10.1007/s10803-016-3005-0.

DONG, L. et al. FMS Effects of a Motor Program for Children With Autism Spectrum Disorders. Perceptual and Motor Skills, p. 1-22, 2021. DOI: 10.1177/00315125211010053.

FITZPATRICK, P. et al. Evaluating the Importance of Social Motor Synchronization and Motor Skill for Understanding Autism. Autism Research, v. 10, n. 10, p. 1687-1699, out. 2017. DOI: 10.1002/aur.1808. WANG, L. A. L. et al. Gross Motor Impairment and Its Relation to Social Skills in Autism Spectrum Disorder: A Systematic Review and Two Meta-Analyses. Psychological Bulletin, v. 148, n. 3-4, p. 273-300, 2022. DOI: 10.1037/bul0000358.

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TDAH e Exercício Físico: O Papel Essencial do Profissional de Educação Física https://blog.heyduca.com.br/tdah-e-exercicio-fisico-o-papel-essencial-do-profissional-de-educacao-fisica/ https://blog.heyduca.com.br/tdah-e-exercicio-fisico-o-papel-essencial-do-profissional-de-educacao-fisica/#respond Mon, 14 Jul 2025 17:30:24 +0000 https://blog.heyduca.com.br/?p=767 O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) vai muito além de uma simples distração. Ele se manifesta como uma dificuldade persistente e excessiva de foco, hiperatividade e impulsividade, desproporcional à idade da pessoa. Essas características podem impactar significativamente o dia a dia, tanto de crianças quanto de adultos. Desvendando os Principais Pilares do TDAH O TDAH não é uma condição “única”, podendo apresentar predominância de: É importante ressaltar que uma pessoa pode ter predominância de apenas um desses pilares ou apresentar a combinação de ambos. Como o TDAH é Diagnostizado e Tratado? O diagnóstico do TDAH é um processo cuidadoso, realizado com base em cinco critérios estabelecidos pelo DSM-V-TR (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders – 5ª edição – revisada). São eles: O tratamento do TDAH geralmente envolve uma abordagem combinada, que pode incluir medicamentos específicos, prescritos por um médico, e terapia cognitivo-comportamental, conduzida por psicólogos. TDAH no Brasil e no Mundo: Uma Visão Geral Segundo o Ministério da Saúde (2022), a prevalência no Brasil é de 7,6% entre crianças e adolescentes (6 a 17 anos), 5,2% entre pessoas de 18 a 44 anos e 6,1% em maiores de 44 anos. Esses números são bastante semelhantes à prevalência mundial, que gira em torno de 8% (AYANO et al., 2023). Curiosamente, a prevalência parece ser duas vezes maior em meninos (10%) do que em meninas (5%) (AYANO et al., 2023). E a jornada do TDAH muitas vezes continua na vida adulta: estima-se que 70% das crianças diagnosticadas com TDAH na infância continuam a apresentar desatenção e, em menor grau, impulsividade e hiperatividade na adolescência e fase adulta (LAGE, 2020). Além dos Sintomas Clássicos: Funções Executivas e TDAH Pessoas com TDAH podem apresentar outros desafios, como déficits na coordenação motora (SHEPEHARD et al., 2021; KAISER et al., 2015; TAKAGI et al., 2022) e prejuízos nas funções executivas. Mas o que são as funções executivas? Elas são um conjunto de habilidades cognitivas que nos permitem planejar, organizar, monitorar comportamentos complexos e direcionar objetivos. Basicamente, é a capacidade de receber uma informação, planejar uma resposta e executá-la – seja por meio da fala, da escrita ou de ações. Em pessoas com TDAH, essas funções podem ser afetadas em áreas como: O Exercício Físico como Aliado no TDAH Diante dos desafios nas funções executivas, surge a pergunta: o exercício físico pode ajudar a diminuir esses prejuízos? A resposta é um ressoante sim! Estudos têm demonstrado que a atividade física regular pode trazer benefícios significativos para as funções executivas. Exercícios moderados e praticados a longo prazo, independentemente do tipo, podem auxiliar na regulação das funções cognitivas (LIANG et al., 2021; ZHANG; Li, 2025; YANG et al., 2025). Além disso, a atividade física também melhora o desempenho de habilidades motoras em crianças com TDAH, com programas de atividades físicas, treinamento de habilidades motoras fundamentais e treinamento perceptivo-motor mostrando resultados positivos (KLEEREN et al., 2023; LIU et al., 2025). Fontes: KLEEREN, L. et al. A Critical View on Motor-based Interventions to Improve Motor Skill Performance in Children With ADHD: A Systematic Review and Meta-analysis. Journal of Attention Disorders, Leuven, v. 27, n. 4, p. 354-367, 202312. ZHANG, R.; LI, H. Effect of vigorous intensity exercise on the working memory and inhibitory control among children with attention deficit hyperactivity disorder a systematic review and metaanalysis. Italian Journal of Pediatrics, Jinan, v. 51, n. 104, 20253. TAKAGI, S. et al. Motor Functional Characteristics in Attention-Deficit/Hyperactivity Disorder and Autism Spectrum Disorders: A Systematic Review. Neuropsychiatric Disease and Treatment, Tóquio, v. 18, p. 1683-1687, 20224…. SHEPHARD, E. et al. Systematic Review and Meta-analysis: The Science of Early-Life Precursors and Interventions for Attention-Deficit/Hyperactivity Disorder. Journal of the American Academy of Child & Adolescent Psychiatry, [s.l.], v. 00, n. 00, 20218…. LIU, H. L. V. et al. The Effect of Physical Activity Intervention on Motor Proficiency in Children and Adolescents with ADHD: A Systematic Review and Meta‑analysis. Child Psychiatry & Human Development, [s.l.], v. 56, n. 177, p. 177-191, 202321. AYANO, G. et al. The global prevalence of attention deficit hyperactivity disorder in children and adolescents: An umbrella review of meta-analyses. Journal of Affective Disorders, [s.l.], v. 339, p. 860-866, 202322. LIANG, X. et al. The impact of exercise interventions concerning executive functions of children and adolescents with attention-deficit/hyperactive disorder: a systematic review and meta-analysis. International Journal of Behavioral Nutrition and Physical Activity, [s.l.], v. 18, n. 1, p. 68-68, 20212324. YANG, Y. et al. The impact of physical activity on inhibitory control of adult ADHD: a systematic review and meta-analysis. Journal of Global Health, Chongqing, v. 15, n. 04025, 202525.KAISER, M. L. et al. What is the evidence of impaired motor skills and motor control among children with attention deficit hyperactivity disorder (ADHD)? Systematic review of the literature. Research in Developmental Disabilities, Groningen, v. 36, p. 338-357, 201526.

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O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) vai muito além de uma simples distração. Ele se manifesta como uma dificuldade persistente e excessiva de foco, hiperatividade e impulsividade, desproporcional à idade da pessoa. Essas características podem impactar significativamente o dia a dia, tanto de crianças quanto de adultos.

Desvendando os Principais Pilares do TDAH

O TDAH não é uma condição “única”, podendo apresentar predominância de:

  • Déficit de Atenção: A pessoa tem dificuldade em manter o foco em uma atividade ou estímulo específico. Isso pode resultar em um tempo de reação mais lento e menor capacidade de processar informações, afetando o desempenho na escola, no trabalho e nos relacionamentos. A sensibilidade excessiva a estímulos externos pode levar a mudanças rápidas de foco.
  • Hiperatividade: Caracterizada por uma agitação motora ou mental excessiva e inadequada. Crianças hiperativas, por exemplo, estão sempre em movimento e têm dificuldade em diminuir a atividade, mesmo quando solicitado.
  • Impulsividade: Manifesta-se na tomada de decisões precipitadas, sem considerar as implicações e consequências. As reações são repentinas e muitas vezes impensadas, sem uma visão clara dos impactos das falas e ações.

É importante ressaltar que uma pessoa pode ter predominância de apenas um desses pilares ou apresentar a combinação de ambos.

Como o TDAH é Diagnostizado e Tratado?

O diagnóstico do TDAH é um processo cuidadoso, realizado com base em cinco critérios estabelecidos pelo DSM-V-TR (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders – 5ª edição – revisada). São eles:

  1. Um padrão persistente de desatenção e/ou hiperatividade-impulsividade que é mais frequente e grave do que o esperado para o nível de desenvolvimento.
  2. A presença de alguns sintomas de hiperatividade-impulsividade ou desatenção antes dos sete anos de idade.
  3. Comprometimento significativo devido aos sintomas em, pelo menos, dois contextos (por exemplo, escola e casa, trabalho e vida social).
  4. Evidências claras de que os sintomas interferem no funcionamento social, acadêmico ou ocupacional adequado ao desenvolvimento.
  5. A certeza de que a perturbação não é exclusiva de outro transtorno (como Esquizofrenia ou Transtornos Globais do Desenvolvimento) e não é melhor explicada por outra condição mental.

O tratamento do TDAH geralmente envolve uma abordagem combinada, que pode incluir medicamentos específicos, prescritos por um médico, e terapia cognitivo-comportamental, conduzida por psicólogos.

TDAH no Brasil e no Mundo: Uma Visão Geral

Segundo o Ministério da Saúde (2022), a prevalência no Brasil é de 7,6% entre crianças e adolescentes (6 a 17 anos), 5,2% entre pessoas de 18 a 44 anos e 6,1% em maiores de 44 anos. Esses números são bastante semelhantes à prevalência mundial, que gira em torno de 8% (AYANO et al., 2023).

Curiosamente, a prevalência parece ser duas vezes maior em meninos (10%) do que em meninas (5%) (AYANO et al., 2023). E a jornada do TDAH muitas vezes continua na vida adulta: estima-se que 70% das crianças diagnosticadas com TDAH na infância continuam a apresentar desatenção e, em menor grau, impulsividade e hiperatividade na adolescência e fase adulta (LAGE, 2020).

Além dos Sintomas Clássicos: Funções Executivas e TDAH

Pessoas com TDAH podem apresentar outros desafios, como déficits na coordenação motora (SHEPEHARD et al., 2021; KAISER et al., 2015; TAKAGI et al., 2022) e prejuízos nas funções executivas.

Mas o que são as funções executivas? Elas são um conjunto de habilidades cognitivas que nos permitem planejar, organizar, monitorar comportamentos complexos e direcionar objetivos. Basicamente, é a capacidade de receber uma informação, planejar uma resposta e executá-la – seja por meio da fala, da escrita ou de ações.

Em pessoas com TDAH, essas funções podem ser afetadas em áreas como:

  • Controle Inibitório: Dificuldade em controlar impulsos, regular emoções, e alocar recursos de atenção de forma eficiente.
  • Memória de Trabalho: Comprometimento da atenção visual, desafios sociais e comportamentos desatentos e hiperativos.
  • Flexibilidade Cognitiva: Dificuldade em resolver problemas de forma eficaz e um desempenho acadêmico abaixo do esperado (LIANG et al., 2021; SHEPEHARD et al., 2021).

O Exercício Físico como Aliado no TDAH

Diante dos desafios nas funções executivas, surge a pergunta: o exercício físico pode ajudar a diminuir esses prejuízos?

A resposta é um ressoante sim!

Estudos têm demonstrado que a atividade física regular pode trazer benefícios significativos para as funções executivas. Exercícios moderados e praticados a longo prazo, independentemente do tipo, podem auxiliar na regulação das funções cognitivas (LIANG et al., 2021; ZHANG; Li, 2025; YANG et al., 2025). Além disso, a atividade física também melhora o desempenho de habilidades motoras em crianças com TDAH, com programas de atividades físicas, treinamento de habilidades motoras fundamentais e treinamento perceptivo-motor mostrando resultados positivos (KLEEREN et al., 2023; LIU et al., 2025).

Fonte: Pexels

Fontes:

KLEEREN, L. et al. A Critical View on Motor-based Interventions to Improve Motor Skill Performance in Children With ADHD: A Systematic Review and Meta-analysis. Journal of Attention Disorders, Leuven, v. 27, n. 4, p. 354-367, 202312.

ZHANG, R.; LI, H. Effect of vigorous intensity exercise on the working memory and inhibitory control among children with attention deficit hyperactivity disorder a systematic review and metaanalysis. Italian Journal of Pediatrics, Jinan, v. 51, n. 104, 20253.

TAKAGI, S. et al. Motor Functional Characteristics in Attention-Deficit/Hyperactivity Disorder and Autism Spectrum Disorders: A Systematic Review. Neuropsychiatric Disease and Treatment, Tóquio, v. 18, p. 1683-1687, 20224….

SHEPHARD, E. et al. Systematic Review and Meta-analysis: The Science of Early-Life Precursors and Interventions for Attention-Deficit/Hyperactivity Disorder. Journal of the American Academy of Child & Adolescent Psychiatry, [s.l.], v. 00, n. 00, 20218….

LIU, H. L. V. et al. The Effect of Physical Activity Intervention on Motor Proficiency in Children and Adolescents with ADHD: A Systematic Review and Meta‑analysis. Child Psychiatry & Human Development, [s.l.], v. 56, n. 177, p. 177-191, 202321.

AYANO, G. et al. The global prevalence of attention deficit hyperactivity disorder in children and adolescents: An umbrella review of meta-analyses. Journal of Affective Disorders, [s.l.], v. 339, p. 860-866, 202322.

LIANG, X. et al. The impact of exercise interventions concerning executive functions of children and adolescents with attention-deficit/hyperactive disorder: a systematic review and meta-analysis. International Journal of Behavioral Nutrition and Physical Activity, [s.l.], v. 18, n. 1, p. 68-68, 20212324.

YANG, Y. et al. The impact of physical activity on inhibitory control of adult ADHD: a systematic review and meta-analysis. Journal of Global Health, Chongqing, v. 15, n. 04025, 202525.KAISER, M. L. et al. What is the evidence of impaired motor skills and motor control among children with attention deficit hyperactivity disorder (ADHD)? Systematic review of the literature. Research in Developmental Disabilities, Groningen, v. 36, p. 338-357, 201526.

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Qualidade de vida na infância e o papel do profissional de Educação Física https://blog.heyduca.com.br/qualidade-de-vida-na-infancia-e-o-papel-do-profissional-de-educacao-fisica/ https://blog.heyduca.com.br/qualidade-de-vida-na-infancia-e-o-papel-do-profissional-de-educacao-fisica/#respond Wed, 09 Jul 2025 14:38:46 +0000 https://blog.heyduca.com.br/?p=754 Quando falamos em qualidade de vida, nosso pensamento, muitas vezes, nos leva diretamente à fase adulta: ao equilíbrio entre trabalho e lazer, à gestão das tarefas diárias. No entanto, é fundamental que nós, profissionais de educação física, voltemos nossos olhares para um público que é a base de nossa sociedade e que possui percepções e necessidades únicas: crianças e adolescentes. Para uma criança, qualidade de vida pode significar simplesmente ter tempo para brincar. Já para um adolescente, a conquista da independência e uma vida social ativa podem ser os pilares de seu bem-estar. Essas percepções são dinâmicas e evoluem rapidamente junto com o desenvolvimento, o que nos mostra a urgência de aprofundar nossos conhecimentos e atuação na qualidade de vida infanto-juvenil. Por que Focar na Qualidade de Vida de Crianças e Adolescentes? Existem razões claras e irrefutáveis que justificam nossa atenção especial a esse grupo: O Brincar: Um Direito e Ferramenta Essencial para a Qualidade de Vida Dentro dos direitos assegurados pelo ECA, especificamente nos Artigos 15 e 16, encontramos um aspecto fundamental que ressoa diretamente com nossa profissão: o direito à liberdade de brincar, praticar esportes e divertir-se. Mas, por que o brincar é tão central para a qualidade de vida? Segundo Duprat (2014), nas brincadeiras, as áreas cognitivas, linguísticas, socioafetivas, psicológicas e motoras são estimuladas de forma integrada. O brincar é a linguagem da criança, onde ela se expressa, se apropria da realidade e constrói sua identidade. Para elas, brincar é “coisa séria”, é onde encontram prazer e se desenvolvem de forma holística. O brincar pode ser: Enquanto na infância o brincar se mistura com a fantasia, na adolescência ele muitas vezes se torna competitivo, por meio de jogos esportivos com regras, pontuações, vitórias e derrotas. Independentemente da forma, o brincar, seja na infância ou na adolescência, é um pilar para o bem-estar e uma melhor qualidade de vida. As habilidades motoras e socioafetivas adquiridas nessa fase são levadas para a vida adulta, impactando positivamente a saúde e o lazer futuros. Atividade Física Orientada: Nosso Papel Crucial O brincar livre é vital para a criatividade e o desenvolvimento integral. Contudo, a atividade física orientada – aquela mediada por nós, profissionais de Educação Física em escolas, academias, clubes e estúdios – oferece ganhos específicos e comprovados para a qualidade de vida. Nossa intervenção, pautada em instrução adequada, correção de movimentos e prática correta, abrange atividades esportivas, lúdicas, recreativas ou condicionantes. Diversos estudos têm demonstrado os efeitos positivos da atividade física em aspectos cruciais da qualidade de vida de crianças e adolescentes: O Desafio da Era Digital: Telas e Mídia Digital Um estilo de vida ativo, a prática de exercícios físicos e as aulas de educação física são promotores de qualidade e bem-estar para crianças e adolescentes. No entanto, é vital reconhecer a importância do tempo livre, aquele em que a criança decide o que fazer, lida com seus sentimentos e desenvolve a criatividade, autonomia e independência. Infelizmente, esse tempo livre tem sido cada vez mais ocupado pelo uso excessivo de telas e mídias digitais. Celulares, tablets, computadores, videogames e televisão estão presentes muito cedo na vida das crianças, e as mídias sociais dominam a rotina dos adolescentes. O uso excessivo de telas tem sido associado a: Contudo, é importante ressaltar que a tecnologia faz parte do nosso dia a dia. Seu uso, quando adequado e controlado, pode trazer benefícios educacionais, auxiliar no desenvolvimento da linguagem, alfabetização precoce, habilidades motoras e criatividade, especialmente para crianças acima de dois anos (CANADIAN PEDIATRIC SOCIETY, 2017). Conclusão: Nosso Compromisso com a Qualidade de Vida desde Cedo Como profissionais de Educação Física, temos um papel insubstituível na promoção da qualidade de vida de crianças e adolescentes. Compreender suas percepções de bem-estar, estimular o brincar ativo e supervisionado, e orientar sobre o uso consciente da tecnologia são pilares para um desenvolvimento saudável. É nossa responsabilidade garantir que as futuras gerações cresçam com as ferramentas necessárias para uma vida plena, ativa e equilibrada. Estamos prontos para abraçar esse desafio e impactar positivamente a vida de milhares de crianças e adolescentes? Fontes: BARMEJO-CANTARERO, A. et. al. Are physical activity interventions effective in improving health-related quality of life in children and adolescents? A systematic review and meta-Analysis. Sports Health, 2023. NELSON, M. C.; GORDON-LARSEN, P. Physical activity and sedentary behavior patterns are associated with selected adolescent health risk behavior. Pediatrics, 2006. ODGERS, C. L.; JENSEN, M. Adolescent mental health in the digital age: facts, fears and future directions. J Child Physol Psychiatry, 2020.  RÓDENAS-MUNAR, M, et al. Perceived quality of life is related to healthy life style and related outcomes in Spanish children and adolescents: The physical activity, sedentarism, and obesity in Spanish study. Nutrients, 2023. SHI, P.; FENG, X. Motor skills and cognitive benefits in children and adolescents: relationship, mechanism, and perspective. Frontiers in Psychology, 2022. SINGH, A. et al. Physical activity and performance at school: a systematic review of literature including methodological quality assessment. Archives of pediatric adolescent medicine, 2012. CANADIAN PEDIATRIC SOCIETY. Screen time and young children: promoting health and development in digital world. Paediatrics & child health, 2017. UNICEF. UNICEF Annual Reports for every child, 2023. https://www.unicef.org/reports/unicef-annual-report-2023

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Quando falamos em qualidade de vida, nosso pensamento, muitas vezes, nos leva diretamente à fase adulta: ao equilíbrio entre trabalho e lazer, à gestão das tarefas diárias. No entanto, é fundamental que nós, profissionais de educação física, voltemos nossos olhares para um público que é a base de nossa sociedade e que possui percepções e necessidades únicas: crianças e adolescentes.

Para uma criança, qualidade de vida pode significar simplesmente ter tempo para brincar. Já para um adolescente, a conquista da independência e uma vida social ativa podem ser os pilares de seu bem-estar. Essas percepções são dinâmicas e evoluem rapidamente junto com o desenvolvimento, o que nos mostra a urgência de aprofundar nossos conhecimentos e atuação na qualidade de vida infanto-juvenil.

Por que Focar na Qualidade de Vida de Crianças e Adolescentes?

Existem razões claras e irrefutáveis que justificam nossa atenção especial a esse grupo:

  1. Dimensão Demográfica: Crianças e adolescentes com menos de 18 anos representam cerca de 25% da população mundial (UNICEF, 2023). Ou seja, estamos falando de uma parcela gigante da população que demanda nossa expertise e cuidado.
  2. Seres em Desenvolvimento: A infância e a adolescência são fases de transformações intensas. Oferecer as ferramentas adequadas para o desenvolvimento pleno é crucial para prepará-los para a vida adulta.
  3. Amparo Legal (ECA): O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), Lei nº 8.069 de 13 de julho de 1990, é claro em seus princípios. O Artigo 3º assegura a eles “todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana”, garantindo oportunidades para seu desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social, em condições de liberdade e dignidade.

O Brincar: Um Direito e Ferramenta Essencial para a Qualidade de Vida

Fonte: Pexels

Dentro dos direitos assegurados pelo ECA, especificamente nos Artigos 15 e 16, encontramos um aspecto fundamental que ressoa diretamente com nossa profissão: o direito à liberdade de brincar, praticar esportes e divertir-se.

Mas, por que o brincar é tão central para a qualidade de vida?

Segundo Duprat (2014), nas brincadeiras, as áreas cognitivas, linguísticas, socioafetivas, psicológicas e motoras são estimuladas de forma integrada. O brincar é a linguagem da criança, onde ela se expressa, se apropria da realidade e constrói sua identidade. Para elas, brincar é “coisa séria”, é onde encontram prazer e se desenvolvem de forma holística.

O brincar pode ser:

  • Livre e Voluntário: Impulsionado pela imaginação, sem regras predefinidas.
  • Orientado: Através de jogos, com ou sem regras, individuais ou em grupo.

Enquanto na infância o brincar se mistura com a fantasia, na adolescência ele muitas vezes se torna competitivo, por meio de jogos esportivos com regras, pontuações, vitórias e derrotas. Independentemente da forma, o brincar, seja na infância ou na adolescência, é um pilar para o bem-estar e uma melhor qualidade de vida. As habilidades motoras e socioafetivas adquiridas nessa fase são levadas para a vida adulta, impactando positivamente a saúde e o lazer futuros.

Atividade Física Orientada: Nosso Papel Crucial

O brincar livre é vital para a criatividade e o desenvolvimento integral. Contudo, a atividade física orientada – aquela mediada por nós, profissionais de Educação Física em escolas, academias, clubes e estúdios – oferece ganhos específicos e comprovados para a qualidade de vida.

Nossa intervenção, pautada em instrução adequada, correção de movimentos e prática correta, abrange atividades esportivas, lúdicas, recreativas ou condicionantes. Diversos estudos têm demonstrado os efeitos positivos da atividade física em aspectos cruciais da qualidade de vida de crianças e adolescentes:

  • Aspectos Cognitivos: Pesquisas (SINGH et al., 2012; SHI; FENG, 2022) mostram que a prática de esportes e a educação física estão positivamente correlacionadas com um melhor rendimento acadêmico e desempenho cognitivo. Isso se deve à criação de novas células cerebrais, plasticidade neural e aumento da oxigenação cerebral, que otimiza a ativação dos neurônios.
  • Redução de Fatores de Risco: Crianças e adolescentes fisicamente ativos tendem a diminuir a adesão a comportamentos de risco como tabagismo, uso de drogas e álcool (NELSON; GORDON-LARSEN, 2006).
  • Bem-estar Integral: O exercício físico melhora significativamente o bem-estar físico e psicológico, autonomia, relação com os pais, apoio social e autoestima (BERMEJO-CANTARERO et al., 2023; NELSON; GORDON-LARSEN, 2006). Mecanismos neurobiológicos (liberação de endorfinas, aumento de nutrientes para neurônios), psicossociais (interações sociais, independência, imagem corporal) e comportamentais (melhora do sono, habilidades sociais, concentração) explicam esses benefícios.
  • Composição Corporal e Saúde Óssea: Maiores níveis de atividade física estão associados a uma melhor composição corporal, com aumento da massa muscular, agilidade e velocidade, além de efeitos positivos na saúde óssea. Uma boa aptidão cardiovascular reduz a gordura abdominal e fatores de risco cardiovasculares. O inverso, baixos níveis de atividade física, aumentam o risco de obesidade e doenças cardiovasculares em todas as idades.

O Desafio da Era Digital: Telas e Mídia Digital

Um estilo de vida ativo, a prática de exercícios físicos e as aulas de educação física são promotores de qualidade e bem-estar para crianças e adolescentes. No entanto, é vital reconhecer a importância do tempo livre, aquele em que a criança decide o que fazer, lida com seus sentimentos e desenvolve a criatividade, autonomia e independência.

Infelizmente, esse tempo livre tem sido cada vez mais ocupado pelo uso excessivo de telas e mídias digitais. Celulares, tablets, computadores, videogames e televisão estão presentes muito cedo na vida das crianças, e as mídias sociais dominam a rotina dos adolescentes.

O uso excessivo de telas tem sido associado a:

  • Atrasos no Desenvolvimento: Dificuldades de fala, atenção e atrasos no desenvolvimento cognitivo e da função executiva.
  • Fatores Psicossociais: Isolamento social, proatividade à agressão e comportamento antissocial, especialmente antes dos dois anos de idade (CANADIAN PEDIATRIC SOCIETY, 2017). Isso reduz a interação com pais e a distrai do brincar, afetando seu desenvolvimento motor, social, afetivo e cognitivo.
  • Hábitos Alimentares Prejudiciais: Piores padrões nutricionais, maior consumo de doces e alimentos de baixo valor nutricional, e menor consumo de frutas, vegetais e laticínios (RÓDENAS-MUNAR, 2023), podendo levar à obesidade (CANADIAN PEDIATRIC SOCIETY, 2017).
  • Problemas na Adolescência: Depressão, ansiedade, baixa autoestima, dependência, dificuldade de interação social, diminuição dos níveis de atividade física e aumento do sedentarismo (ODGERS; JENSEN, 2020).

Contudo, é importante ressaltar que a tecnologia faz parte do nosso dia a dia. Seu uso, quando adequado e controlado, pode trazer benefícios educacionais, auxiliar no desenvolvimento da linguagem, alfabetização precoce, habilidades motoras e criatividade, especialmente para crianças acima de dois anos (CANADIAN PEDIATRIC SOCIETY, 2017).

Conclusão: Nosso Compromisso com a Qualidade de Vida desde Cedo

Como profissionais de Educação Física, temos um papel insubstituível na promoção da qualidade de vida de crianças e adolescentes. Compreender suas percepções de bem-estar, estimular o brincar ativo e supervisionado, e orientar sobre o uso consciente da tecnologia são pilares para um desenvolvimento saudável. É nossa responsabilidade garantir que as futuras gerações cresçam com as ferramentas necessárias para uma vida plena, ativa e equilibrada. Estamos prontos para abraçar esse desafio e impactar positivamente a vida de milhares de crianças e adolescentes?


Fontes:

BARMEJO-CANTARERO, A. et. al. Are physical activity interventions effective in improving health-related quality of life in children and adolescents? A systematic review and meta-Analysis. Sports Health, 2023.

NELSON, M. C.; GORDON-LARSEN, P. Physical activity and sedentary behavior patterns are associated with selected adolescent health risk behavior. Pediatrics, 2006.

ODGERS, C. L.; JENSEN, M. Adolescent mental health in the digital age: facts, fears and future directions. J Child Physol Psychiatry, 2020. 

RÓDENAS-MUNAR, M, et al. Perceived quality of life is related to healthy life style and related outcomes in Spanish children and adolescents: The physical activity, sedentarism, and obesity in Spanish study. Nutrients, 2023.

SHI, P.; FENG, X. Motor skills and cognitive benefits in children and adolescents: relationship, mechanism, and perspective. Frontiers in Psychology, 2022.

SINGH, A. et al. Physical activity and performance at school: a systematic review of literature including methodological quality assessment. Archives of pediatric adolescent medicine, 2012.

CANADIAN PEDIATRIC SOCIETY. Screen time and young children: promoting health and development in digital world. Paediatrics & child health, 2017. UNICEF. UNICEF Annual Reports for every child, 2023. https://www.unicef.org/reports/unicef-annual-report-2023

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Compreendendo os movimentos dos bebês https://blog.heyduca.com.br/compreendendo-os-movimentos-dos-bebes/ https://blog.heyduca.com.br/compreendendo-os-movimentos-dos-bebes/#respond Mon, 30 Dec 2024 15:17:38 +0000 https://blog.heyduca.com.br/?p=738 Desde a sua formação no útero da mãe até um tempo após o nascimento, os movimentos dos bebês são, em sua maioria, movimentos reflexos. Os movimentos reflexos são respostas involuntárias a estímulos externos, controladas de forma subcortical, ou seja, pela medula espinhal, sem envolver os centros superiores do sistema nervoso, como o encéfalo. Isso ocorre porque, nos primeiros meses de vida, a bainha de mielina que envolve os neurônios e facilita a condução dos impulsos nervosos ainda não está plenamente desenvolvida. Assim, os impulsos nervosos não alcançam o nível de consciência, permanecendo na medula espinhal, onde desencadeiam respostas automáticas e padronizadas conhecidas como reflexos. Os bebês apresentam dois tipos principais de reflexos: primitivos e posturais. Os reflexos primitivos estão relacionados à sobrevivência, contribuindo para a nutrição e proteção. Um exemplo é o reflexo de busca, no qual o bebê, ao ter a área ao redor da boca estimulada, vira a cabeça em direção ao estímulo. Outro é o reflexo de sucção, ativado quando lábios, gengivas, língua ou palato duro são tocados, gerando movimentos de sucção. O reflexo de busca é mais forte nos três primeiros meses e pode durar até um ano, enquanto o de sucção geralmente desaparece por volta do terceiro mês, quando esse movimento passa a ser voluntário. Outro reflexo primitivo é o de preensão palmar, no qual o bebê fecha a mão firmemente em torno de um objeto que toca sua palma. Esse reflexo desaparece por volta do quarto mês. Nos pés, são observados o reflexo de Babinski, caracterizado pela extensão dos dedos ao toque na sola do pé, e o reflexo de preensão plantar, onde os dedos dos pés reagem a uma leve pressão no terço anterior do pé. O reflexo de Babinski é comum até os quatro meses, enquanto o de preensão plantar persiste até cerca de 12 meses. Os reflexos posturais, por outro lado, estão relacionados ao desenvolvimento de movimentos voluntários que ajudam na manutenção da postura ereta. Um exemplo é o reflexo de engatinhar, onde, ao pressionar a sola do pé do bebê em posição prona, ele assume movimentos que simulam o engatinhar. Esse reflexo desaparece por volta do terceiro ou quarto mês. Outro reflexo postural notável é o da marcha automática, em que o bebê, sustentado em pé, realiza movimentos que lembram os passos da caminhada. Este reflexo está presente ao nascimento e desaparece por volta dos cinco meses. Esses reflexos, tanto primitivos quanto posturais, são essenciais para o desenvolvimento motor. Em um bebê com desenvolvimento típico, todos os reflexos esperados devem estar presentes em cada etapa da vida. A ausência, desigualdade ou irregularidade de algum reflexo pode indicar possíveis disfunções ou danos neurológicos, exigindo uma avaliação mais detalhada. Conforme o sistema nervoso amadurece, os movimentos reflexos dão lugar aos movimentos voluntários. Por volta de um ano, os reflexos primitivos e posturais desaparecem, e a criança passa a responder de maneira intencional. Nesse momento, ela começa a desenvolver maior coordenação e controle motor, além de aprender a lidar com a força da gravidade. Essa transição gradual dos reflexos para movimentos voluntários marca o início dos movimentos rudimentares. O bebê, ao longo de seu desenvolvimento, aprende a estabilizar o corpo em diferentes posturas, começando pela cabeça e pescoço, passando pelo tronco e, por fim, pelos membros inferiores. Essa sequência permite que ele se sente, rasteje, engatinhe e, finalmente, caminhe. Ao mesmo tempo, desenvolve habilidades de manipulação, como alcançar, segurar e soltar objetos, elementos fundamentais para o domínio motor. Referências: GALLAHUE, David; OZMUN, John; GOODWAY, Jacqueline. Compreendendo o desenvolvimento motor: bebês, crianças, adolescentes e adultos. Porto Alegre: AMGH, 2013. HAYWOOD, Kathleen; GETCHEL, Nancy. Desenvolvimento motor ao longo da vida. Porto Alegre: Artmed, 2010.

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Desde a sua formação no útero da mãe até um tempo após o nascimento, os movimentos dos bebês são, em sua maioria, movimentos reflexos.

Os movimentos reflexos são respostas involuntárias a estímulos externos, controladas de forma subcortical, ou seja, pela medula espinhal, sem envolver os centros superiores do sistema nervoso, como o encéfalo. Isso ocorre porque, nos primeiros meses de vida, a bainha de mielina que envolve os neurônios e facilita a condução dos impulsos nervosos ainda não está plenamente desenvolvida. Assim, os impulsos nervosos não alcançam o nível de consciência, permanecendo na medula espinhal, onde desencadeiam respostas automáticas e padronizadas conhecidas como reflexos.

Os bebês apresentam dois tipos principais de reflexos: primitivos e posturais. Os reflexos primitivos estão relacionados à sobrevivência, contribuindo para a nutrição e proteção. Um exemplo é o reflexo de busca, no qual o bebê, ao ter a área ao redor da boca estimulada, vira a cabeça em direção ao estímulo. Outro é o reflexo de sucção, ativado quando lábios, gengivas, língua ou palato duro são tocados, gerando movimentos de sucção. O reflexo de busca é mais forte nos três primeiros meses e pode durar até um ano, enquanto o de sucção geralmente desaparece por volta do terceiro mês, quando esse movimento passa a ser voluntário.

Outro reflexo primitivo é o de preensão palmar, no qual o bebê fecha a mão firmemente em torno de um objeto que toca sua palma. Esse reflexo desaparece por volta do quarto mês. Nos pés, são observados o reflexo de Babinski, caracterizado pela extensão dos dedos ao toque na sola do pé, e o reflexo de preensão plantar, onde os dedos dos pés reagem a uma leve pressão no terço anterior do pé. O reflexo de Babinski é comum até os quatro meses, enquanto o de preensão plantar persiste até cerca de 12 meses.

Os reflexos posturais, por outro lado, estão relacionados ao desenvolvimento de movimentos voluntários que ajudam na manutenção da postura ereta. Um exemplo é o reflexo de engatinhar, onde, ao pressionar a sola do pé do bebê em posição prona, ele assume movimentos que simulam o engatinhar. Esse reflexo desaparece por volta do terceiro ou quarto mês. Outro reflexo postural notável é o da marcha automática, em que o bebê, sustentado em pé, realiza movimentos que lembram os passos da caminhada. Este reflexo está presente ao nascimento e desaparece por volta dos cinco meses.

Esses reflexos, tanto primitivos quanto posturais, são essenciais para o desenvolvimento motor. Em um bebê com desenvolvimento típico, todos os reflexos esperados devem estar presentes em cada etapa da vida. A ausência, desigualdade ou irregularidade de algum reflexo pode indicar possíveis disfunções ou danos neurológicos, exigindo uma avaliação mais detalhada.

Conforme o sistema nervoso amadurece, os movimentos reflexos dão lugar aos movimentos voluntários. Por volta de um ano, os reflexos primitivos e posturais desaparecem, e a criança passa a responder de maneira intencional. Nesse momento, ela começa a desenvolver maior coordenação e controle motor, além de aprender a lidar com a força da gravidade.

Essa transição gradual dos reflexos para movimentos voluntários marca o início dos movimentos rudimentares. O bebê, ao longo de seu desenvolvimento, aprende a estabilizar o corpo em diferentes posturas, começando pela cabeça e pescoço, passando pelo tronco e, por fim, pelos membros inferiores. Essa sequência permite que ele se sente, rasteje, engatinhe e, finalmente, caminhe. Ao mesmo tempo, desenvolve habilidades de manipulação, como alcançar, segurar e soltar objetos, elementos fundamentais para o domínio motor.

Fonte: www.pexels.com

Referências:

GALLAHUE, David; OZMUN, John; GOODWAY, Jacqueline. Compreendendo o desenvolvimento motor: bebês, crianças, adolescentes e adultos. Porto Alegre: AMGH, 2013.

HAYWOOD, Kathleen; GETCHEL, Nancy. Desenvolvimento motor ao longo da vida. Porto Alegre: Artmed, 2010.

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O transtorno do Desenvolvimento da Coordenação (TDC) https://blog.heyduca.com.br/o-transtorno-do-desenvolvimento-da-coordenacao-tdc/ https://blog.heyduca.com.br/o-transtorno-do-desenvolvimento-da-coordenacao-tdc/#respond Fri, 06 Dec 2024 19:22:43 +0000 https://blog.heyduca.com.br/?p=732 O transtorno do desenvolvimento da coordenação, conhecido pela a sua forma abreviada, TDC, se manifesta como uma dificuldade de executar diversas habilidades motoras, inclusive aquelas atividades da vida diária como: alimentar-se, vestir-se, abotoar, amarrar cadarço e andar e não está associada a condições médicas ou a alguma doença neurológica (LAGE, 2020; WEBER et al.; 2023). A criança com TDC apresenta uma coordenação motora abaixo da expectativa de sua idade, muitas vezes é chamada de desajeitada e pode apresentar atrasos nos marcos motores iniciais. As dificuldades de coordenação de habilidades motoras amplas e finas podem acarretar prejuízos acadêmicos ou dificuldades na realização de atividades do dia a dia, pois apresentam dificuldades de equilíbrio, coordenação e destreza (LAGE, 2020). Além disso, para conseguir controlar os movimentos, crianças com TDC precisam de um maior nível de concentração e ajuste antecipatório e tempo de reação. O problema é que esses ajustes podem não ser suficientemente eficientes para que o movimento aconteça de forma coordenada, o que leva a frustração, pois notam que não conseguem realizar como seus colegas (WEBER et al.; 2023). Estudos tem demonstrado que o TDC pode causar prejuízos no desempenho acadêmico, escolhas vocacionais e a busca por momentos de lazer (PURCELL et al., 2023). Ainda, como consequências secundárias, pode acontecer diminuição da autoestima, depressão, ansiedade, isolamento social, problemas com colegas e a não participação em atividades físicas, o que pode impactar de forma negativa a qualidade de vida (PURCELL et al., 2023). O TDC persiste pela vida adulta e tem-se notado que pessoas com TDC possuem uma baixa aptidão física, são menos fisicamente ativos e têm baixa percepção de competência atlética (PURCELL et al., 2023). O diagnóstico do TDC é dado a partir da avaliação de quatro critérios, definidos no DSM-V-TR (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders – 5a edição – revisada):  Apesar do profissional de Educação Física estar diretamente ligado às práticas esportivas e de atividades físicas, o diagnóstico não é dado por ele e sim por médicos e psicólogos, a partir de uma longa avaliação. Cabe ao profissional de Educação Física estar atento aos sinais apresentados pelo aluno e incentivar os pais e responsáveis e até mesmo o aluno, a procurarem um profissional qualificado para o diagnóstico. O profissional de Educação Física pode trabalhar com a intervenção motora com as crianças com TDC, o que tem demonstrado benefícios na coordenação motora desta população. Referências: AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders. 5ed – Text Revision. Washington, DC: American Psychiatric Publishing, 2022. LAGE, Guilherme Menezes. Comportamento motor nos transtornos de desenvolvimento. Belo Horizonte: Ampla, 2020. PURCELL, Catherine; SCHOTT, Nadja; RAPOS, Victoria; ZWICKER, Jill; WILMUT, Kate. Understanding factors that influence physical activity behavior in people with developmental coordination disorder (DCD): a mixed-methods convergent integrated systematic review. Frontiers, 2023. WEBER, Meyene Duque; DRAGHI, Tatiane Targino Gomes; ROHR, Lisa Araujo; CAVALCANTE-NETO, Jorge Lopes; TUDELLA, Eloisa. Health related quality of life in children with developmental coordination disorder: a systematic review. Health and quality of life outcomes, 2023.

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O transtorno do desenvolvimento da coordenação, conhecido pela a sua forma abreviada, TDC, se manifesta como uma dificuldade de executar diversas habilidades motoras, inclusive aquelas atividades da vida diária como: alimentar-se, vestir-se, abotoar, amarrar cadarço e andar e não está associada a condições médicas ou a alguma doença neurológica (LAGE, 2020; WEBER et al.; 2023).

A criança com TDC apresenta uma coordenação motora abaixo da expectativa de sua idade, muitas vezes é chamada de desajeitada e pode apresentar atrasos nos marcos motores iniciais. As dificuldades de coordenação de habilidades motoras amplas e finas podem acarretar prejuízos acadêmicos ou dificuldades na realização de atividades do dia a dia, pois apresentam dificuldades de equilíbrio, coordenação e destreza (LAGE, 2020). Além disso, para conseguir controlar os movimentos, crianças com TDC precisam de um maior nível de concentração e ajuste antecipatório e tempo de reação. O problema é que esses ajustes podem não ser suficientemente eficientes para que o movimento aconteça de forma coordenada, o que leva a frustração, pois notam que não conseguem realizar como seus colegas (WEBER et al.; 2023).

Estudos tem demonstrado que o TDC pode causar prejuízos no desempenho acadêmico, escolhas vocacionais e a busca por momentos de lazer (PURCELL et al., 2023). Ainda, como consequências secundárias, pode acontecer diminuição da autoestima, depressão, ansiedade, isolamento social, problemas com colegas e a não participação em atividades físicas, o que pode impactar de forma negativa a qualidade de vida (PURCELL et al., 2023). O TDC persiste pela vida adulta e tem-se notado que pessoas com TDC possuem uma baixa aptidão física, são menos fisicamente ativos e têm baixa percepção de competência atlética (PURCELL et al., 2023).

O diagnóstico do TDC é dado a partir da avaliação de quatro critérios, definidos no DSM-V-TR (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders – 5a edição – revisada): 

  1. Desempenho motor abaixo do esperado para a idade cronológica; 
  2.  Prejuízo na realização de tarefas motoras em casa e nas atividades escolares diárias da criança;  
  3. Déficit nas habilidades motoras no período inicial do desenvolvimento; e,
  4. Déficits não inerentes a condições neurológicas ou deficiência visual ou intelectual (APA, 2022).  

Apesar do profissional de Educação Física estar diretamente ligado às práticas esportivas e de atividades físicas, o diagnóstico não é dado por ele e sim por médicos e psicólogos, a partir de uma longa avaliação. Cabe ao profissional de Educação Física estar atento aos sinais apresentados pelo aluno e incentivar os pais e responsáveis e até mesmo o aluno, a procurarem um profissional qualificado para o diagnóstico. O profissional de Educação Física pode trabalhar com a intervenção motora com as crianças com TDC, o que tem demonstrado benefícios na coordenação motora desta população.

Fonte: www.pexels.com

Referências: AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders. 5ed – Text Revision. Washington, DC: American Psychiatric Publishing, 2022.

LAGE, Guilherme Menezes. Comportamento motor nos transtornos de desenvolvimento. Belo Horizonte: Ampla, 2020.

PURCELL, Catherine; SCHOTT, Nadja; RAPOS, Victoria; ZWICKER, Jill; WILMUT, Kate. Understanding factors that influence physical activity behavior in people with developmental coordination disorder (DCD): a mixed-methods convergent integrated systematic review. Frontiers, 2023. WEBER, Meyene Duque; DRAGHI, Tatiane Targino Gomes; ROHR, Lisa Araujo; CAVALCANTE-NETO, Jorge Lopes; TUDELLA, Eloisa. Health related quality of life in children with developmental coordination disorder: a systematic review. Health and quality of life outcomes, 2023.

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Adultos e idosos são capazes de aprender novos movimentos? https://blog.heyduca.com.br/adultos-e-idosos-sao-capazes-de-aprender-novos-movimentos/ https://blog.heyduca.com.br/adultos-e-idosos-sao-capazes-de-aprender-novos-movimentos/#respond Thu, 05 Dec 2024 14:42:33 +0000 https://blog.heyduca.com.br/?p=697 Você viu na matéria anterior como a criança e o adolescente desenvolvem seus movimentos. Apresentamos um modelo teórico análogo a uma ampulheta em que os movimentos são desenvolvidos em fases e estágios. Mas, e na fase adulta, paramos de desenvolver novos movimentos?O que é explicado pela ampulheta é que em uma determinada idade, ela vira. Para alguns adultos, ela vira de uma vez, ou seja, as pessoas entram para o mercado de trabalho, constituem família e abandonam a prática de exercício físico e consequentemente não adquirem novas habilidades. A figura 3 demonstra a ampulheta invertida. Figura 3: A ampulheta invertida na vida adulta e no envelhecimento, adaptado de Gallahue; Ozmun; Goodway (2013). Assim, vemos que a areia (habilidades aprendidas até a fase adulta) escoa por dois filtros distintos: o filtro da hereditariedade, que não podemos mudar (predisposição genética para doenças, por exemplo) e o filtro do estilo de vida, que seria aptidão física, estado nutricional, dieta, exercício físico e qualidade de vida, o qual temos controle. Assim, essa areia pode escoar de forma rápida ou lenta, a depender desses filtros. Nada poderá impedir a areia de escoar, mas o filtro do estilo de vida, pode reduzir a taxa desse escoamento, por ter sua base ambiental.No topo da ampulheta da figura 3, tem um recipiente que introduz novos aprendizados ao longo da vida (mais areia). Isso significa que temos sempre a oportunidade de novos aprendizados ao longo da vida, por meio da prática e novas experiências. No entanto, não é possível acrescentar mais areia do que escoa, pois assim estaríamos em busca da imortalidade.Assim, adultos e idosos podem sim aprender novas habilidades, mas o aprendizado vai depender do seu repertório motor adquirido na infância e adolescência (da areia na ampulheta) e dos filtros da hereditariedade e hábitos de vida. GALLAHUE, David; OZMUN, John; GOODWAY, Jacqueline. Compreendendo o desenvolvimento motor: bebês, crianças, adolescentes e adultos. Porto Alegre: AMGH, 2013.

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Você viu na matéria anterior como a criança e o adolescente desenvolvem seus movimentos. Apresentamos um modelo teórico análogo a uma ampulheta em que os movimentos são desenvolvidos em fases e estágios. Mas, e na fase adulta, paramos de desenvolver novos movimentos?
O que é explicado pela ampulheta é que em uma determinada idade, ela vira. Para alguns adultos, ela vira de uma vez, ou seja, as pessoas entram para o mercado de trabalho, constituem família e abandonam a prática de exercício físico e consequentemente não adquirem novas habilidades.

A figura 3 demonstra a ampulheta invertida.

Figura 3: A ampulheta invertida na vida adulta e no envelhecimento, adaptado de Gallahue; Ozmun; Goodway (2013).

Assim, vemos que a areia (habilidades aprendidas até a fase adulta) escoa por dois filtros distintos: o filtro da hereditariedade, que não podemos mudar (predisposição genética para doenças, por exemplo) e o filtro do estilo de vida, que seria aptidão física, estado nutricional, dieta, exercício físico e qualidade de vida, o qual temos controle. Assim, essa areia pode escoar de forma rápida ou lenta, a depender desses filtros. Nada poderá impedir a areia de escoar, mas o filtro do estilo de vida, pode reduzir a taxa desse escoamento, por ter sua base ambiental.
No topo da ampulheta da figura 3, tem um recipiente que introduz novos aprendizados ao longo da vida (mais areia). Isso significa que temos sempre a oportunidade de novos aprendizados ao longo da vida, por meio da prática e novas experiências. No entanto, não é possível acrescentar mais areia do que escoa, pois assim estaríamos em busca da imortalidade.
Assim, adultos e idosos podem sim aprender novas habilidades, mas o aprendizado vai depender do seu repertório motor adquirido na infância e adolescência (da areia na ampulheta) e dos filtros da hereditariedade e hábitos de vida.

GALLAHUE, David; OZMUN, John; GOODWAY, Jacqueline. Compreendendo o desenvolvimento motor: bebês, crianças, adolescentes e adultos. Porto Alegre: AMGH, 2013.

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