Saúde e longevidade: O impacto da atividade física

A medicina e a tecnologia avançam, a urbanização se expande e a pesquisa em saúde não para. O resultado? Uma expectativa de vida crescente, especialmente em países desenvolvidos e em desenvolvimento. Estamos no auge de uma transição demográfica, com menos nascimentos e um número cada vez maior de pessoas alcançando a terceira idade. Isso significa que, mais do que nunca, a sociedade precisa de profissionais preparados para um envelhecimento com qualidade de vida, independência e autonomia. E é aqui que a Educação Física entra como peça-chave!

Qualidade de Vida na Terceira Idade: Um Universo de Individualidades

Os idosos não são um grupo homogêneo. A diversidade é imensa: diferentes ocupações, etnias, religiões, costumes e hábitos de vida. Essa pluralidade torna a definição de “qualidade de vida” para essa população uma tarefa complexa, mas fascinante, devido à enorme individualidade de cada um.

Heide (2020) aponta que a qualidade de vida é determinada pela capacidade de preservar a identidade ao longo da vida. Estudos globais reforçam que ela engloba:

  • Recursos sociais adequados: Não só interações, mas também apoio em emergências.
  • Saúde física e psicológica: Bem-estar integral.
  • Independência: Capacidade de realizar atividades do dia a dia.
  • Aspectos financeiros: Estabilidade e segurança.
  • Segurança: Sentir-se protegido.
  • Participação social: Engajamento na comunidade.

O envelhecimento traz consigo desafios como a perda de amigos e familiares, a lida com o luto, a discriminação e a falta de paciência dos mais jovens. A aposentadoria, embora esperada, pode gerar uma redefinição do papel social, diminuição da renda e, por vezes, dependência familiar. Diante de tudo isso, nosso trabalho se torna ainda mais relevante.

Os Impactos Fisiológicos do Tempo e o Poder do Exercício

É natural: com o avanço da idade, nosso organismo apresenta perdas funcionais. Essas mudanças, que se tornam mais visíveis a partir dos 30 anos e se acentuam após os 50, afetam todos os sistemas corporais. Observamos:

  • Pele: Perda de colágeno e flacidez.
  • Fisiologia: Aumento da pressão arterial, perda de massa óssea e muscular, aumento de gordura corporal.
  • Sistemas: Alterações nos sistemas neurológico, imunológico e endócrino.

Embora essas perdas sejam normais, sua intensidade é moldada pelo estilo de vida e pela genética de cada indivíduo. E é aqui que entra o exercício físico como um verdadeiro super-herói!

A prática regular de exercício físico tem o poder de desacelerar os efeitos negativos do envelhecimento. Ele comprovadamente melhora as respostas fisiológicas em idosos sedentários, nonagenários, frágeis e com sarcopenia (perda de massa muscular).

Por isso, a Organização Mundial da Saúde (OMS) (2020) recomenda:

  • Atividade aeróbica: Mínimo de 150 minutos/semana de intensidade moderada ou 75 minutos/semana de intensidade vigorosa.
  • Exercícios resistidos (força/musculação): Pelo menos duas vezes por semana.

Os Benefícios Inquestionáveis:

  • Exercícios Resistidos:
    • Ganho de massa muscular e força.
    • Auxílio nas atividades diárias, promovendo mobilidade e independência.
    • Redução do risco de quedas e fragilidade.
    • Melhora em aspectos psicológicos como depressão e ansiedade (KASHI; MIRZAZADEH; SAATCHIAN, 2022).
  • Exercícios Aeróbicos:
    • Melhora da aptidão cardiorrespiratória e VO2máx.
    • Otimização do bombeamento de sangue e diminuição da pressão arterial e frequência cardíaca.
    • Papel crucial no tratamento de depressão e ansiedade, e nas funções cognitivas e cerebrovasculares (BLISS et al., 2022).

Apesar de todos esses benefícios, cerca de 31% da população mundial não atinge as recomendações da OMS. E, ironicamente, os idosos, que mais se beneficiariam, são os mais propensos à inatividade física, muitas vezes por questões culturais, falta de disposição ou apoio familiar.

É nossa missão reverter esse quadro! A prática regular de atividade física é um fator protetivo contra declínios cognitivos e doenças relacionadas à demência, garantindo um envelhecimento mais saudável (CUNNINGHAM et al., 2019).

Doenças Crônicas e a Epidemia da Inatividade: A Atuação da Ed. Física

A transição demográfica que vivemos é acompanhada por uma transição epidemiológica. Antigamente, muitas mortes eram causadas por doenças infecciosas. Hoje, graças aos avanços da medicina, o panorama mudou. As principais inimigas da saúde são as doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs), desenvolvidas ao longo da vida devido ao envelhecimento, genética ou, em grande parte, a um estilo de vida inadequado (alimentação, sono, estresse e, claro, a falta de atividade física).

DCNTs comuns incluem diabetes, hipertensão, aterosclerose, obesidade, osteoporose, câncer, Alzheimer, Parkinson, entre outras. É comum que idosos apresentem multimorbidade (duas ou mais DCNTs), um cenário que se agrava com a baixa qualidade de vida e a incapacidade funcional.

A boa notícia? O exercício físico é uma das ferramentas mais eficazes no tratamento dessas doenças e na diminuição de seus sintomas!

  • Redução de Mortalidade: 150 minutos/semana de atividade moderada a vigorosa podem reduzir a mortalidade por todas as causas em 28%, e por doenças coronarianas em até 40% (CUNNINGHAM et al., 2019).
  • Prevenção de Fraturas: Redução de 29% no risco de fraturas ósseas.
  • Capacidade Funcional: Redução de 49% na incidência de incapacidade nas atividades básicas da vida diária e cerca de 50% no risco de limitações funcionais.
  • Saúde Mental: Maiores níveis de atividade física estão associados a menores declínios cognitivos, redução do risco de demência, doença de Alzheimer e depressão (CUNNINGHAM et al., 2019).

Diante de todas essas evidências científicas, surge a grande questão: se o exercício físico é tão vital, por que idosos e pessoas com doenças crônicas ainda não se exercitam?

A resposta é multifatorial e exige nossa atenção para superar as barreiras:

  • Individualização e Prazer: O exercício deve ser individualizado, cientificamente correto e não excessivamente longo. Precisa ser prazeroso e livre de experiências desagradáveis.
  • Equipe Multidisciplinar: A colaboração com psicólogos, médicos, nutricionistas e fisioterapeutas é essencial.
  • Supervisão e Tecnologia: A supervisão durante as sessões e o uso de tecnologias (aplicativos, relógios, equipamentos) podem ser motivadores.
  • Identificação de Barreiras e Facilitadores: Compreender hábitos anteriores, explorar o que impede e o que motiva, e buscar alternativas.
  • Educação e Expectativas: Educar o participante sobre riscos e benefícios, ajustando expectativas.
  • Integração na Vida Diária: Transformar o exercício em um hábito, incorporando-o à rotina.
  • Apoio Social e Pertencimento: O suporte de familiares, amigos e instrutores, além do sentimento de pertencimento a um grupo.
  • Comunicação e Feedback: Feedback constante sobre o progresso.
  • Autoeficácia e Competência: Fortalecer a crença do idoso em sua própria capacidade.
  • Papel Ativo e Metas: Incentivar o automonitoramento, autocontrole e autonomia, além da definição de metas claras (COLLADO-MATEO, et al., 2021).

Nosso Compromisso com um Envelhecimento Digno e Ativo

A qualidade de vida na terceira idade começa a ser construída muito antes, na vida adulta. Como profissionais de Educação Física, temos a capacidade de traçar estratégias para amenizar os declínios e perdas do envelhecimento, inserindo o exercício físico como um fator protetivo, de tratamento e promoção da saúde.

Além disso, devemos incentivar o desenvolvimento emocional e mental, que são cruciais para enfrentar os desafios sociais, físicos e emocionais que surgirão.

Estamos diante de uma oportunidade única de impactar milhares de vidas, garantindo que o envelhecimento seja sinônimo de qualidade, autonomia e bem-estar. Qual será o seu próximo passo para abraçar esse desafio?

Fonte: BLISS, E.; BIKI, S. M.; WONG, R. H. X.; HOWE, P. R.; MILLS, D. E. The benefits of regular aerobic exercises on cerebrovascular function and cognition in older adults. European Journal of Applied Physiology, 2023.

COLLADO-MATEO, D. et al. Key factors associated with adherence to physical exercise in patients with chronic disease and older adults: an umbrella review. International Journal of Environmental Research and Public Health, 2021.

CUNNINGHAN, C.; O`SULLIVAN, R.; CASEROTTI, P.; TULLY, M. A. Consequences of physical inactivity in older adults: a systematic review of reviews and meta-analysis. Scandinavian Journal of Medicine and Science of Sports, 2020.

HEIDE, S. Autonomy, identity and health: defining quality of life in older age. Medical Ethics, 2022. 

KASHI, S. K.; MIRZAZADEH, Z. S.; SAATCHIAN, V. A systematic review and meta-analysis of resistance training on quality of life, depression, muscle strength, and functional exercise capacity in older adults aged 60 years or more. Biological Research for Nursing, 2022.

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Recomendações globais de atividade física para a saúde, 2020.

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