TDAH e Exercício Físico: O Papel Essencial do Profissional de Educação Física

O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) vai muito além de uma simples distração. Ele se manifesta como uma dificuldade persistente e excessiva de foco, hiperatividade e impulsividade, desproporcional à idade da pessoa. Essas características podem impactar significativamente o dia a dia, tanto de crianças quanto de adultos.

Desvendando os Principais Pilares do TDAH

O TDAH não é uma condição “única”, podendo apresentar predominância de:

  • Déficit de Atenção: A pessoa tem dificuldade em manter o foco em uma atividade ou estímulo específico. Isso pode resultar em um tempo de reação mais lento e menor capacidade de processar informações, afetando o desempenho na escola, no trabalho e nos relacionamentos. A sensibilidade excessiva a estímulos externos pode levar a mudanças rápidas de foco.
  • Hiperatividade: Caracterizada por uma agitação motora ou mental excessiva e inadequada. Crianças hiperativas, por exemplo, estão sempre em movimento e têm dificuldade em diminuir a atividade, mesmo quando solicitado.
  • Impulsividade: Manifesta-se na tomada de decisões precipitadas, sem considerar as implicações e consequências. As reações são repentinas e muitas vezes impensadas, sem uma visão clara dos impactos das falas e ações.

É importante ressaltar que uma pessoa pode ter predominância de apenas um desses pilares ou apresentar a combinação de ambos.

Como o TDAH é Diagnostizado e Tratado?

O diagnóstico do TDAH é um processo cuidadoso, realizado com base em cinco critérios estabelecidos pelo DSM-V-TR (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders – 5ª edição – revisada). São eles:

  1. Um padrão persistente de desatenção e/ou hiperatividade-impulsividade que é mais frequente e grave do que o esperado para o nível de desenvolvimento.
  2. A presença de alguns sintomas de hiperatividade-impulsividade ou desatenção antes dos sete anos de idade.
  3. Comprometimento significativo devido aos sintomas em, pelo menos, dois contextos (por exemplo, escola e casa, trabalho e vida social).
  4. Evidências claras de que os sintomas interferem no funcionamento social, acadêmico ou ocupacional adequado ao desenvolvimento.
  5. A certeza de que a perturbação não é exclusiva de outro transtorno (como Esquizofrenia ou Transtornos Globais do Desenvolvimento) e não é melhor explicada por outra condição mental.

O tratamento do TDAH geralmente envolve uma abordagem combinada, que pode incluir medicamentos específicos, prescritos por um médico, e terapia cognitivo-comportamental, conduzida por psicólogos.

TDAH no Brasil e no Mundo: Uma Visão Geral

Segundo o Ministério da Saúde (2022), a prevalência no Brasil é de 7,6% entre crianças e adolescentes (6 a 17 anos), 5,2% entre pessoas de 18 a 44 anos e 6,1% em maiores de 44 anos. Esses números são bastante semelhantes à prevalência mundial, que gira em torno de 8% (AYANO et al., 2023).

Curiosamente, a prevalência parece ser duas vezes maior em meninos (10%) do que em meninas (5%) (AYANO et al., 2023). E a jornada do TDAH muitas vezes continua na vida adulta: estima-se que 70% das crianças diagnosticadas com TDAH na infância continuam a apresentar desatenção e, em menor grau, impulsividade e hiperatividade na adolescência e fase adulta (LAGE, 2020).

Além dos Sintomas Clássicos: Funções Executivas e TDAH

Pessoas com TDAH podem apresentar outros desafios, como déficits na coordenação motora (SHEPEHARD et al., 2021; KAISER et al., 2015; TAKAGI et al., 2022) e prejuízos nas funções executivas.

Mas o que são as funções executivas? Elas são um conjunto de habilidades cognitivas que nos permitem planejar, organizar, monitorar comportamentos complexos e direcionar objetivos. Basicamente, é a capacidade de receber uma informação, planejar uma resposta e executá-la – seja por meio da fala, da escrita ou de ações.

Em pessoas com TDAH, essas funções podem ser afetadas em áreas como:

  • Controle Inibitório: Dificuldade em controlar impulsos, regular emoções, e alocar recursos de atenção de forma eficiente.
  • Memória de Trabalho: Comprometimento da atenção visual, desafios sociais e comportamentos desatentos e hiperativos.
  • Flexibilidade Cognitiva: Dificuldade em resolver problemas de forma eficaz e um desempenho acadêmico abaixo do esperado (LIANG et al., 2021; SHEPEHARD et al., 2021).

O Exercício Físico como Aliado no TDAH

Diante dos desafios nas funções executivas, surge a pergunta: o exercício físico pode ajudar a diminuir esses prejuízos?

A resposta é um ressoante sim!

Estudos têm demonstrado que a atividade física regular pode trazer benefícios significativos para as funções executivas. Exercícios moderados e praticados a longo prazo, independentemente do tipo, podem auxiliar na regulação das funções cognitivas (LIANG et al., 2021; ZHANG; Li, 2025; YANG et al., 2025). Além disso, a atividade física também melhora o desempenho de habilidades motoras em crianças com TDAH, com programas de atividades físicas, treinamento de habilidades motoras fundamentais e treinamento perceptivo-motor mostrando resultados positivos (KLEEREN et al., 2023; LIU et al., 2025).

Fonte: Pexels

Fontes:

KLEEREN, L. et al. A Critical View on Motor-based Interventions to Improve Motor Skill Performance in Children With ADHD: A Systematic Review and Meta-analysis. Journal of Attention Disorders, Leuven, v. 27, n. 4, p. 354-367, 202312.

ZHANG, R.; LI, H. Effect of vigorous intensity exercise on the working memory and inhibitory control among children with attention deficit hyperactivity disorder a systematic review and metaanalysis. Italian Journal of Pediatrics, Jinan, v. 51, n. 104, 20253.

TAKAGI, S. et al. Motor Functional Characteristics in Attention-Deficit/Hyperactivity Disorder and Autism Spectrum Disorders: A Systematic Review. Neuropsychiatric Disease and Treatment, Tóquio, v. 18, p. 1683-1687, 20224….

SHEPHARD, E. et al. Systematic Review and Meta-analysis: The Science of Early-Life Precursors and Interventions for Attention-Deficit/Hyperactivity Disorder. Journal of the American Academy of Child & Adolescent Psychiatry, [s.l.], v. 00, n. 00, 20218….

LIU, H. L. V. et al. The Effect of Physical Activity Intervention on Motor Proficiency in Children and Adolescents with ADHD: A Systematic Review and Meta‑analysis. Child Psychiatry & Human Development, [s.l.], v. 56, n. 177, p. 177-191, 202321.

AYANO, G. et al. The global prevalence of attention deficit hyperactivity disorder in children and adolescents: An umbrella review of meta-analyses. Journal of Affective Disorders, [s.l.], v. 339, p. 860-866, 202322.

LIANG, X. et al. The impact of exercise interventions concerning executive functions of children and adolescents with attention-deficit/hyperactive disorder: a systematic review and meta-analysis. International Journal of Behavioral Nutrition and Physical Activity, [s.l.], v. 18, n. 1, p. 68-68, 20212324.

YANG, Y. et al. The impact of physical activity on inhibitory control of adult ADHD: a systematic review and meta-analysis. Journal of Global Health, Chongqing, v. 15, n. 04025, 202525.KAISER, M. L. et al. What is the evidence of impaired motor skills and motor control among children with attention deficit hyperactivity disorder (ADHD)? Systematic review of the literature. Research in Developmental Disabilities, Groningen, v. 36, p. 338-357, 201526.

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